ONU denuncia saques de alimentos estocados no Haiti

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU) informou hoje que seus estoques na capital do Haiti, Porto Príncipe, foram saqueados. O PMA não sabe quanto sobrou de suas reservas de ajuda alimentar, anteriores ao terremoto - antes dos saques, eram 15 mil toneladas. A agência da ONU informou que trabalha para arrecadar comida rapidamente, para alimentar dois milhões de haitianos durante um mês.

AE-AP, Agencia Estado

15 de janeiro de 2010 | 10h49

Uma porta-voz do PMA ressaltou hoje que esses saques eram algo normal em situações de emergência. Ela lembrou que comércios de alimentos também foram saqueados na capital haitiana desde o terremoto de 7 graus na Escala Richter ocorrido na terça-feira, que pode ter matado 50 mil, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Também hoje, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, disse que pediu aos credores do Haiti que se apressem para perdoar a dívida do país caribenho. Christine contou que fez contatos "com todos os membros do Clube de Paris, para acelerar o cancelamento da dívida do governo do Haiti". A França preside a organização, um grupo informal que reúne nações industrializadas.

Christine afirmou ainda que pediu à Venezuela e a Taiwan - membros do grupo, mas a quem o Haiti deve valores consideráveis - que ajudem na redução da dívida. O Haiti devia à França 58 milhões de euros (US$ 84 milhões), dos quais 4 milhões de euros já haviam sido cancelados. O resto seria cancelado em etapas até 2014, mas esse processo será agora acelerado.

Corpos

Aproximadamente 7 mil mortos já foram enterrados, afirmou ontem o primeiro-ministro do Peru, Javier Velásquez Quesquén, que está em Porto Príncipe, onde supervisiona os esforços peruanos para ajudar na crise. "Nas últimas poucas horas, eles enterraram aproximadamente 7 mil haitianos e o governo (local) está pedindo equipamentos para remover a terra, para limpar os escombros", disse ele ao canal a cabo N, após um encontro com o presidente do Haiti, René Préval.

Quesquén afirmou que, ao chegar ao Haiti, encontrou um cenário de caos. "Autoridades estão apenas começando a se organizar, enquanto as Nações Unidas tomam o comando do esforço de ajuda humanitária." Segundo o primeiro-ministro, o Peru enviou dois aviões com auxílio ao Haiti, mas apenas um deles, com suprimentos médicos, havia conseguido pousar no danificado aeroporto da capital.

"Nós entregamos os suprimentos médicos ao presidente do Haiti", disse Quesquén. De acordo com ele, a outra aeronave pousou na vizinha República Dominicana, onde os alimentos foram entregues à responsabilidade da ONU. Com informações da Dow Jones.

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