ONU descarta possibilidade de Milosevic ter sido envenenado

Uma autópsia e testes sanguíneos não encontraram vestígios de veneno ou remédios em concentrações que poderiam ter causado a morte de Slobodan Milosevic, anunciou o Tribunal de Crime de Guerra da ONU, nesta sexta-feira. O presidente do tribunal, o juiz Fausto Pocar também afirmou que uma investigação externa será conduzida no centro de detenção onde Milosevic esteve preso durante seu julgamento de quatro anos e onde ele morreu no sábado. A causa oficial da morte de Milosevic foi um enfarte, mas foram levantadas suspeitas sobre o que teria levado ao ataque depois da descoberta de que ele estaria tomando medicamentos que não foram prescritos pelo cardiologista da ONU. "Não foram encontradas evidências de envenenamento. Um número de remédios prescritos foram encontrados em seu corpo, mas não em concentrações tóxicas", disse Pocar. Ele também afirmou que não foram encontrados traços do antibiótico Rifampicina no sangue de Milosevic. Um toxicologista holandês afirmou, no entanto, ter encontrado vestígios do medicamento em uma amostra de sangue do líder sérvio no começo deste ano. O antibiótico, que amplia a capacidade do rim de quebrar enzimas, teria sido utilizado para restringir o efeito de bloqueadores-beta que Milosevic tomava para a pressão sanguínea, levando a especulações de que o medicamento teria contribuído para sua morte. O toxicologista Donald Uges, que realizou o relatório no dia 12 de fevereiro, acredita que Milosevic tomava o antibiótico para fazer parecer que ele não recebia o tratamento adequado na prisão, e pressionar sua exigência de transferência para uma clínica cardíaca em Moscou. Os juízes negaram o pedido várias vezes. Como a droga desaparece rapidamente do corpo, segundo o relatório da ONU, é improvável que ela tenha sido ingerida nos últimos dias antes da morte. Milosevic "recebeu o melhor tratamento possível", afirmou Pocar. Outros testes são conduzidos pelo Instituto Forense da Holanda, o mesmo que fez a autópsia no último sábado, cujas conclusões foram provisórias. As condições não foram publicadas, mas o tribunal transcreveu relatórios médicos anteriores que mostravam a existência de pressão arterial que causou o engrossamento da parede do ventrículo direito. Gravações confidenciais do tribunal foram entregues aos patologistas para ajudá-los na investigação.

Agencia Estado,

17 Março 2006 | 13h21

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