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ONU desloca 60 mil refugiados de campo por falta de segurança

Acnur afirma que, por falta de veículos, população pode andar mais de 15 quilômetros até novo local

Agências internacionais,

14 de novembro de 2008 | 12h30

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) transferirá na próxima semana 60 mil deslocados dos campos nos arredores de Goma, no leste da República Democrática do Congo, por conta das condições de segurança da região.   Veja também: Histórico dos conflitos armados no Congo     Desde que o conflito na região se intensificou, em agosto, mais de 250 mil pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas. Agências humanitárias informaram que realocarão campos de refugiados para evitar que civis sejam pegos no fogo cruzado entre soldados e rebeldes. "Diante da continua ameaça para a segurança nos dois campos de Kibati pela proximidade dos combates, a Acnur e seus parceiros, junto com as autoridades provinciais, decidiram transferir mais de 60 mil pessoas dos dois campos de Kibati para um novo em Mugunga", disse o porta-voz da ONU Ron Redmond. "Espera-se que a mudança comece na próxima semana e esperamos que termine em poucos dias", acrescentou.   O porta-voz da Acnur reconheceu que a mudança será "difícil", pois há falta de veículos suficientes, por isto a maior parte das pessoas terá que cumprir a pé os 15 quilômetros de distância. "Aqueles que não podem andar, como crianças, idosos e doentes, serão transportados em caminhões para o novo campo", concluiu.   Conflito regionalizado   Soldados de Angola e do Zimbábue já estão se envolvendo na guerra entre Exército e rebeldes tutsis no Congo (ex-Zaire), segundo testemunhas ouvidas pela rede britânica BBC. Há informações também de que alguns dos milicianos têm recebido dinheiro do Exército de Ruanda. O governo angolano já havia anunciado, na quarta-feira, que estava pronto para enviar tropas para o país vizinho.   Esse cenário indica que, como se temia, o conflito está se regionalizando e pode repetir o que ocorreu na guerra do Congo (1998-2003), quando nove países vizinhos se envolveram no confronto e 4 milhões de pessoas morreram. Na época, Angola e Zimbábue enviaram tanques e aviões para apoiar o governo congolês. Em troca, ganharam acesso às lucrativas minas de diamante e cobre no sul e no oeste do país.   Em entrevista ao jornal espanhol El Pais, o líder dos rebeldes, Laurent Nkunda, disse que estava "pronto para governar o país, como general ou presidente". Ex-general do Exército congolês, ele acusa o governo de não proteger os civis de sua etnia (tutsi) das milícias hutus. Os hutus entraram no Congo após promover o genocídio em Ruanda, em 1994, no qual 800 mil pessoas morreram, a maioria tutsis.   O premiê britânico, Gordon Brown, disse na quinta que apoiará o plano da ONU de enviar 3 mil soldados extras para o Congo. A ONU tem 17 mil capacetes-azuis no país - sua maior missão em todo o mundo -, mas afirma que precisa de mais soldados para evitar a morte de civis. Brown se reunirá em Nova York com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para tratar do conflito.

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