ONU deveria continuar no Congo apesar das críticas, diz enviado

Uma ofensiva do governo da República Democrática do Congo (antigo Zaire), que grupos de defesa dos direitos humanos dizem ter causado muitas mortes de civis, não deveria ser suspensa e a força de paz das Nações Unidas deveria continuar apoiando-a, disse um alto funcionário da ONU nesta sexta-feira.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

16 de outubro de 2009 | 20h28

O desarmamento de mil de cerca de 6.000 rebeldes no leste congolês ocorreu às custas do deslocamento de cerca de 900.000 pessoas, da morte de mil civis e do estupro de 7.000 meninas e mulheres, dizem grupos humanitários e de defesa dos direitos humanos.

Mas Alan Doss, chefe da missão de paz da ONU no Congo, rejeitou insinuações de que a entidade retirou apoio para as forças governamentais que combatiam rebeldes hutus ruandeses, que têm sido parte central em 15 anos de violência na África Central.

"Reduzir a pressão agora daria à FDLR (os rebeldes hutus) tempo para se reagruparem e se rearmarem", disse Doss em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o Congo.

"Isso iria mandar uma mensagem ambígua para alguns elementos do Exército congolês, que no passado cooperaram com a FDLR", disse ele.

"Ruanda também poderia ver isto como um passo atrás na reaproximação que abriu uma perspectiva inteiramente nova" para o leste do Congo, rico em minérios.

Os rebeldes, conhecidos como Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), incluem alguns membros de grupos extremistas hutus envolvidos no genocídio em Ruanda, em 1994, e são vistos como uma causa fundamental na violência no Congo, que aumentou apesar da realização, em 2006, de eleições com o objetivo de pôr fim à guerra.

Lançada em janeiro, a ofensiva começou na província de Kivu Norte, com o apoio de Ruanda, antigo inimigo do Congo, e se estendeu a Kivu Sul, com o apoio do Conselho de Segurança da ONU.

Mas grupos de defesa dos direitos humanos dizem que a ofensiva desencadeou o deslocamento maciço de populações, já que os civis foram apanhados no meio dos ataques dos rebeldes, e também abusos generalizados por parte das tropas governamentais, que agora incluem ex-rebeldes e ex-membros de milícias, integrados apressadamente ao Exército.

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