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ONU diz que 31 morreram na repressão em Mianmar

A repressão do regime militar àsmanifestações pró-democracia de setembro em Mianmar mataram 31pessoas, o triplo da contagem oficial, segundo um relatóriodivulgado na sexta-feira pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro,relator oficial da ONU para questões de direitos humanos. De acordo com ele, cerca de 4.000 pessoas foram detidas,das quais aproximadamente mil permanecem presas. O relatório de 77 páginas, a ser apresentado na terça-feiraque vem ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, diz que oregime militar usou "força excessiva" e violou "as regrasfundamentais do direito internacional". Pinheiro esteve em Mianmar entre os dias 11 e 15 denovembro, o que resultou num dos relatos mais completos atéagora sobre a repressão às manifestações, as maiores no paísdesde 1988, lideradas por monges budistas. De acordo com a imprensa oficial birmanesa, o governoadmitiu apenas dez mortes. Depois, Pinheiro afirmou ter ouvidodas autoridades que 15 pessoas haviam morrido, e ele própriodescobriu provas de que outras 16 pessoas haviam sidoassassinadas. O relatório, ao qual a Reuters teve acesso, cita ao menos74 casos em que o governo desconhece ou não informa o paradeirode pessoas. Pinheiro escreveu que a polícia usou armas de fogo, balasde borracha, gás lacrimogêneo, granadas de fumaça, pedaços depau, cassetetes e até estilingues contra os manifestantes. Contrariando a versão oficial de que 2.927 pessoas foramdetidas, Pinheiro afirmou que houve 4.000 detenções, sendo queentre 500 e 1.000 pessoas continuavam detidas quando da redaçãodo texto. Entre os presos, disse o brasileiro, havia 106mulheres, inclusive seis monjas. Pinheiro descreveu enormes centros informais de detenção edisse haver relatos críveis de uma área especial para punições,as "celas dos cães dos militares", na famosa prisão de Insein,em Yangon. Trata-se de um conjunto de nove pequenas celas de quatrometros quadrados, guardadas constantemente por 30 cães. Seuspresos, segundo o relatório, são mantidos em condiçõesdegradantes, sem ventilação ou banheiro, dormindo em colchõesfinos e autorizados a tomar banho, com água fria, apenas umavez a cada três dias, durante cinco minutos.

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