ONU diz que ao menos 15 mil civis não conseguem deixar Alepo

Segundo agência das Nações Unidas para Refugiados, sírios estão escondidos em escolas, e mesquitas da cidade

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2012 | 03h02

O Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) afirmou ontem que entre 15 mil e 18 mil civis estão presos em Alepo em meio a combates entre tropas leais ao ditador Bashar Assad e rebeldes. A maioria está escondida em escolas, mesquitas e prédios públicos e não tem como sair. A ONU estima que mais de 200 mil pessoas já fugiram de Alepo, a segunda maior cidade da Síria.

"Milhares de moradores assustados estão procurando abrigo", disse a porta-voz da Acnur, Melissa Fleming. "Essas pessoas não fugiram da cidade por não terem os meios para isso ou por sentirem que a rota é muito perigosa." De acordo com a Acnur, bloqueios e a ação de gangues armadas têm dificultado a chegada de refugiados à Turquia. Nos últimos 2 dias, 2 mil pessoas chegaram ao país vizinho.

Dos civis presos em Alepo, 7 mil estão em universidades e ao menos 8 mil espalhados por 32 escolas. Mesquitas e prédios públicos também receberam refugiados na cidade, que tem 2 milhões de habitantes.

O dissidente Mohamed Saeed, que vive em Alepo, disse à agência Associated Press que a situação dos civis na cidade é muito grave. "Não há comida suficiente e as pessoas estão tentando fugir", afirmou. " A cidade está quase sem gás de cozinha e eletricidade. As pessoas estão cozinhando em fogueiras."

Ainda ontem, a oposição ao regime de Assad relatou ataques de helicópteros a Alepo. O Exército Sírio Livre (ESL) disse que conseguiu defender o distrito de Salahedine da ofensiva governista pelo terceiro dia seguido. A agência oficial Sana, no entanto, afirmou que o Exército regular impôs "pesadas baixas" em Alepo a "grupos terroristas", termo usado para designar os rebeldes

Iraque. Milhares de refugiados iraquianos, que estão na Síria desde a invasão americana que derrubou Saddam Hussein, em 2003, estão retornando ao Iraque. Segundo a Acnur, mais de 20 mil pessoas já cruzaram a fronteira iraquiana nos últimos 10 dias.

Além disso, cerca de 2,8 mil sírios fugiram para o Iraque no mesmo período. A travessia do deserto que separa os dois países custa US$ 300 de táxi e US$ 100 de ônibus. A ONU estima que o Iraque abrigue 12 mil sírios. Estimativas oficiais da Acnur colocam a Turquia como o maior destino dos refugiados, com 44 mil pessoas. Líbano e Jordânia têm 30 mil, mas se calcula que esse número seja bem maior. A revolta contra Assad, que já dura 17 meses, deixou mais de 20 mil mortos. / REUTERS e AP

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