ONU diz que cerca de 600 imigrantes morreram em naufrágio na Líbia

Barco se partiu logo depois de deixar Trípoli; entidade acusa governo de cumplicidade

Associated Press

10 de maio de 2011 | 15h23

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) acredita que quase todos os 600 imigrantes africanos a bordo de um navio que naufragou logo após deixar a Líbia estão mortos, disse nesta terça-feira, 10, uma porta-voz do órgão. A ONU acusa o governo líbio de cumplicidade com o crescente número de incidentes do tipo, a maioria envolvendo cidadãos de outros países africanos que vão à Líbia em busca de emprego.

 

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De acordo com a ONU, o barco se partiu quando ainda podia ser visto logo após deixar um porto em Trípoli, capital da Líbia. "Nós sabemos que há sobreviventes que sabem nadar e que conseguiram chegar à praia, mas acreditamos que sejam poucos", disse Melissa Fleming, porta-voz da agência de refugiados da ONU.

 

 

O porta-voz do governo líbio, Moussa Ibrahim, afirmou que o naufrágio e as mortes são o preço que as nações europeias estão pagando pela incursão militar e pelo apoio aos rebeldes que tentam derrubar o regime do ditador Muamar Kadafi. "Com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos atacando, não conseguimos lidar com esse tipo de situação. Não podemos ser os guardas da Europa nesse momento", disse.

 

 

De acordo com a ONU, barcos lotados de imigrantes começaram a deixar a Líbia em direção à Europa no dia 25, quando a Otan tomou o controle da incursão militar sobre o país africano. Quase 15 mil pessoas deixaram a Líbia, e cerca de 800 desapareceram em três naufrágios anteriores ao desta terça. Os barcos que transportam os imigrantes estão em condições precárias.

 

Sybella Wilkes, outra porta-voz da agência de refugiados da ONU, afirmou que o governo líbio tem responsabilidade sobre os naufrágios. "Sabemos que esse transporte é ilegal, mas obviamente é impossível que 2 mil pessoas embarquem em poucos dias sem que o governo saiba disso e permita", disse. "O porto de Trípoli está sob controle do governo".

 

A onda migratória gerada pela violência na Líbia já criou problemas para a Itália. A ilha de Lampedusa, o porto europeu mais próximo do país africano, recebeu milhares de imigrantes nas últimas semanas, fazendo com que o governo italiano recorresse à União Europeia para encontrar uma solução. A ONU pediu que outros países recebam os barcos de refugiados. "Toda embarcação vinda da Líbia deve ser considerada, a princípio, como em necessidade de assistência", disse Melissa em Genebra.

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