ONU diz que conflito na Somália pode virar guerra regional

Um documento confidencial da ONU concluiu que milhares de soldados etíopes e eritreus estão na Somália, apoiando lados opostos na luta pelo controle do país estratégico. Segundo o relatório, o envolvimento das duas nações rivais situadas na região conhecida como Chifre da África pode criar uma guerra regional. Radicais islâmicos, que segundo a ONU são apoiados pela Eritréia, mantiveram confrontos em diversas cidades somalis em nome de uma guerra santa contra a Etiópia e contra o governo interino apoiado pela ONU. A Somália não tem um governo central desde 1991, quando bandos armados derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre e, em seguida, voltaram-se uns contra os outros. Em junho, milícias islâmicas tomaram a capital do país, Mogadiscio. O relatório da ONU, que tem a data de 26 de outubro e que Associated Press teve acesso nesta sexta-feira, cita fontes diplomáticas ao estimar que "entre 6 e 8 mil etíopes e 2 mil soldados eritreus totalmente equipados estão na Somália apoiando" o governo reconhecido internacionalmente e o grupo islâmico conhecido como o Conselho das Cortes Islâmicas, respectivamente. "Há relatos de que ambos os lados no conflito somali têm grandes apoiadores - o governo é apoiado pela Etiópia, Uganda e Iêmen; as Cortes Islâmicas recebem auxílio do Irã, Líbia, Arábia Saudita e estados do Golfo", acrescenta o relatório. O governo de transição e o Conselho das Cortes Islâmicas têm entrado em conflito com maior freqüência nas últimas semanas. As forças do governo têm cavado trincheiras em volta de Baidoa, a única cidade que o governo reconhecido pela ONU ainda controla. As Cortes Islâmicas enviaram tropas para uma cidade estratégica próxima a Baidoa, e seu quartel general está situado na capital somali. As movimentações militares podem ser mera "pose" diante das conversas de paz marcadas para a semana que vem em Cartum, no Sudão, mas a maioria dos observadores estão pessimistas sobre as chances para um acordo e temem que a violência se agravar caso as negociações venham a falhar."Certamente a situação está se deteriorando rapidamente, e uma guerra é possível", disse o relatório.A Etiópia e a Eritréia travaram uma guerra de fronteira que durou dois anos e que permanece sem solução. Na semana passada, o mais alto diplomata americano para a África, Jendayi Frazer, acusou a Eritréia de usar a Somália para a abrir um segundo front contra a Etiópia. O relatório foi escrito para a ajudar altos funcionários da ONU a desenhar uma estratégia para fornecer ajuda humanitária ao país, um dos mais pobres do mundo. Texto ampliado às 20h20

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