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ONU diz que duas redes de pirataria operam na Somália

Duas grandes redes de pirataria operam em comunidades de pescadores na costa da Somália, mantendo navios em troca de resgates em dólares, apesar dos esforços internacionais contra a prática, disse hoje o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon. As redes estão sediadas na região nordeste de Puntland, onde o grupo pirata mais importante está instalado, no distrito de Eyl, e na região central de Mudug, onde os piratas operam principalmente a partir da vila de pescadores de Xarardheere, disse ele.

AE-AP, Agencia Estado

18 de março de 2009 | 18h18

"É amplamente sabido que alguns desses grupos agora rivalizam com as autoridades somalis estabelecidas em termos de capacidade militar e recursos", disse Ban. A Somália é um Estado falido, marcado por 18 anos de anarquia, violência e uma insurgência islâmica que matou milhares de civis e fez com que centenas de milhares fugissem para tentar salvar suas vidas. A saída em dezembro das tropas etíopes, que faziam a proteção do frágil governo apoiado pela ONU, deixou um perigoso vácuo de poder.

Em relatório ao Conselho de Segurança, o secretário-geral disse que "há uma necessidade crítica" de atacar o problema da pirataria e do roubo armado na costa da Somália de forma coordenada, com a promoção de reconciliação política e o estabelecimento de um governo efetivo, apoiado pelos esforços de paz da União Africana e pelo fortalecimento da lei. "No longo prazo, a questão da pirataria e do roubo armado no mar da costa da Somália será resolvido apenas por meio de uma aproximação que seja direcionada ao conflito, à falta de governo e à ausência de meios sustentáveis de sobrevivência na Somália", disse Ban.

Ele encorajou os integrantes da ONU a "colocar crescente ênfase na resolução da falta de lei na Somália", ao promover esforços de paz e de apoio às forças da União Africana. Ban lembrou que o Escritório Marítimo Internacional divulgou um aumento sem precedentes de 11% da pirataria e de roubos armados nos mares de todo o mundo em 2008. Dos 293 incidentes registrados, 111 ocorreram na costa da Somália, "um aumento anual de quase 200% no corredor de comércio que liga o Canal de Suez ao Oceano Índico", disse ele.

Nos primeiros dois meses de 2009, disse ele, ocorreram sete incidentes registrados de pirataria e roubo armado na região somali. "Segundo relados, as principais milícias de piratas atuais têm suas raízes nas regiões nordeste e central da Somália e suas organizações refletem as estruturas sociais somalis, baseadas em clãs", disse o secretário-geral. No final de 2008, disse ele, o grupo de Eyl, em Puntland, mantinha seis embarcações e suas tripulações "e acredita-se que tenham obtido aproximadamente US$ 30 milhões em pagamentos de resgates".

Patrulhamento

Para combater os piratas, Ban disse que os membros da ONU, individualmente e coletivamente, estão patrulhando a costa somali enquanto o Golfo de Áden "é atualmente patrulhado por uma das maiores flotilhas antipirataria da história moderna". Segundo o Centro de Navegação Comercial da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os navios mantidos no Golfo de Áden fizeram paradas para reabastecimento antes de se dirigirem para os portos base em Eyl, em Puntland, e Hobyo, em Xaradheere, na região central da Somália, disse Ban.

As "zonas de ataque pirata" também são servidas por embarcações cujas bases estão em Bossaso e Mogadiscio, na Somália, bem como Al Mukallah e Al Shishr, no Iêmen, disse ele. O secretário-geral disse que há aumento dos relatos de cumplicidade entre integrantes da administração de Puntland nas atividades piratas, mas que é encorajador que tanto a antiga quanto a atual liderança da região "parece estar adotando uma forma mais robusta na luta contra a pirataria". Ele encorajou os integrantes da ONU a ajudar a promover o desenvolvimento e práticas de governo em Puntland e em outras regiões somalis.

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