ONU diz que era alvo de explosão em Argel; 1 funcionário morto

A Organização das NaçõesUnidas (ONU) era claramente o alvo de uma das duas explosõesque mataram 67 pessoas na capital da Argélia, nestaterça-feira, afirmou o presidente do Alto Comissariado dasNações Unidas para os Refugiados (Acnur). O chefe da Acnur, Antonio Guterres, disse à emissora de TVBBC World: "Não tenho nenhuma dúvida de que a ONU era um alvo.Isso é uma afronta. É algo que não faz nenhuma sentido." Guterres acrescentou que a explosão no escritório da ONU naArgélia reflete o desejo de "alguns extremistas" de matar,criar terror e impedir a comunidade internacional de apoiarcausas humanitárias e os direitos humanos. Ele não disse quantos funcionários da ONU morreram ouficaram feridos, mas fontes da organização confirmaram que pelomenos um funcionário da organização morreu e 13 estavamdesaparecidos em consequência dos ataques com carros-bomba queatingiram Argel. Em nota, a ONU disse que as explosões destruíram oescritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(Pnud) e danificaram bastante o escritório do Acnur. O comunicado dizia que as duas explosões mataram um númeroindeterminado de funcionários da ONU. "Doze pessoas da ONUestão desaparecidas, sem contar o Acnur. Não sabemos se elespodem estar sob os escombros", disse Jean Fabre, chefe doescritório de Genebra do Pnud, à Reuters. Um porta-voz do Acnur, que tem sede em Genebra, havia ditoque um motorista tinha morrido e outro estava desaparecido. Os 12 funcionários desaparecidos citados por Fabretrabalhavam em várias agências da ONU que funcionavam no prédiodo Pnud, como do Programa Mundial de Alimentação e daOrganização Internacional do Trabalho. Segundo Fabre, os números do ataque foram fornecidos pelocoordenador-residente da ONU na Argélia, Marc Destanne deBernis. Uma fonte do Ministério da Saúde argelino afirmou que, nototal, as duas explosões mataram pelo menos 67 pessoas emArgel. A nota da ONU afirma que o secretário-geral da entidade,Ban Ki-moon, "condena nos termos mais veementes os ataquesterroristas em Argel". Em Nova York, Farhan Haq, representante da ONU, disse que aentidade mantém por volta de 19 funcionários estrangeiros e 115locais na Argélia, não necessariamente no local afetado pelabomba. A ação fez lembrar a bomba que destruiu o escritório da ONUem Bagdá em agosto de 2003, matando 22 pessoas, entre elas ochefe da missão, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. A explosão de Argel aconteceu numa rua que separa oprincipal escritório da ONU na capital argelina do complexo doAcnur, segundo Antonio Guterres, ex-premiê português e hojealto comissário da ONU para os refugiados. (Reportagem de Stephanie Nebehay em Genebra, ClaudiaParsons na ONU e Vicki Allen em Washington)

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