ONU diz que Israel impede ajuda médica a palestinos

As forças israelenses estão impedindo os esforços para se fornecer ajuda médica aos palestinos ao destruir hospitais e ambulâncias, afirmou hoje o chefe da Agência da ONU de Ajuda e Trabalhos para os Refugiados Palestinos (UNRWA, por sua sigla em inglês), Peter Hansen. "É alarmante ver como as instalações médicas foram destruídas, medicamentos inutilizados e pichações ameaçadoras nas paredes", disse Hansen. "Este tipo de destruição realmente não é o que se espera de um exército dito disciplinado". Falando por telefone de Jerusalém com jornalistas nos escritórios da ONU em Genebra, Hansen afirmou também que os militares israelenses estão atirando deliberadamente em ambulâncias que tentam transportar palestinos doentes ou feridos nos ataques. "Quando 185 ambulâncias, incluindo três quartos pertencentes à nossa agência, são atingidas quer dizer que elas não foram vítimas de balas perdidas, mas que consistiam em alvos", disse Hansen. Israel garante que ninguém está negando acesso à ajuda médica deliberadamente. O exército diz que, às vezes, fortes conflitos impedem que as ambulâncias recolham os feridos, mas que os veículos podem fazer seu trabalho mais tarde, mediante autorização. A UNRWA foi fundada em 1948 para ajudar os refugiados palestinos da primeira guerra ábabe-israelense. Desde então, a agência fornece educação, saúde, ajuda e serviços sociais ao 3,8 milhões de refugiados na Jordânia, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza e no Líbano. De acordo com Hansen, Israel também está impedindo a agência de entregar ajudas não-médicas. Ele citou casos em que o exército deu permissão para que comboios da ONU entrassem em campos de refugiados palestinos, mas mais tarde bloqueou sua entrada. Hansen contou também que um funcionário da UNRWA foi detido e mantido preso com as mãos atadas e os olhos vendados por 52 horas sem comida. Ele disse, sem entrar em detalhes, que o funcionário foi libertado ontem. "Faço um forte apelo a Israel para que respeite as mínimas normas de decência - sem falar, é claro, os tratados humanitários internacionais que eles são obrigados a obedecer", afirmou Hansen. Em 18 meses de conflito, mais de 430 israelenses foram mortos. Do lado palestino, o número passa de 1.300. "Reconheço que a população civil israelense está sofrendo muito", disse Hansen. "É uma sociedade cercada, vivendo em medo e ira. Mas a maneira como Israel vem respondendo os abomináveis ataques suicidas só pode gerar mais ódio e violência", acrescentou.

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