ONU diz que produção de alimentos deve cair 25% até 2050

Queda deve ser provocada pelo conjunto de mudança climática, degradação do solo, escassez de água e pragas

DANIEL WALLIS, REUTERS

17 de fevereiro de 2009 | 15h44

Até 25% da produção mundial de alimentos pode ser perdida até 2050 em razão do impacto conjunto da mudança climática, da degradação do solo, da escassez de água e das pragas, alertou a Organização das Nações Unidas nesta terça-feira, 17.   Veja também: Cientistas criam novo método para medir emissões de carbono  Níveis de CO2 atingem novos picos de alta Especial: Evolução das emissões de carbono  A redução atingirá o planeta no momento em que haverá 2 bilhões de pessoas a mais no mundo, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), segundo o qual a produção de cereais permanece estagnada no mundo e a de pescado vem diminuindo. Em um novo relatório, o organismo afirma que uma tendência de 100 anos de queda nos custos dos alimentos pode estar chegando ao fim e o grande aumento de preços verificado no ano passado lançou 110 milhões de pessoas na pobreza. Os preços podem ter caído em muitas regiões, mas os especialistas afirmam que a volatilidade - somada ao impacto da redução na atividade econômica global - trouxe pouco alívio aos pobres. "Precisamos lidar não apenas com a forma com que o mundo produz alimentos, mas com a forma como eles são distribuídos, vendidos e consumidos, e precisamos de uma revolução que aumente a produção agindo em conjunto e não contra a natureza", disse o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner. Mais da metade da comida produzida mundialmente hoje foi perdida, desperdiçada ou jogada fora em razão da ineficiência, disse ele, em uma entrevista coletiva durante uma grande reunião ambiental da ONU que ocorre no Quênia. "Há evidência no relatório de que o mundo poderia alimentar todo o crescimento projetado da população apenas se tornando mais eficiente, mas também garantindo a sobrevivência de animais, pássaros e peixes deste planeta", disse Steiner. O relatório Rapid Response Assessment (avaliação para resposta rápida, na tradução livre), lançado terça-feira pelo Pnuma, diz que os preços mundiais de alimentos devem subir entre 30 e 50 por cento ao longo das próximas décadas - enquanto a população global deverá aumentar para mais de 9 bilhões dos quase 7 bilhões atuais. O documento afirma que deveriam ser estabelecidas regulamentações nos preços das commodities e que deveriam ser organizados estoques de cereais maiores como proteção à volatilidade nos preços. Ele também pede por "redes de segurança" para aqueles que estão sob maior risco de fome. O relatório afirma que mais de um terço dos cereais do mundo é usado para alimentação animal e que essa proporção deve subir para 50% até 2050. Ele propõe usar restos de comida reciclados como uma alternativa ambientalmente amiga. Steiner afirmou que são necessárias soluções inovadoras, como as do Níger, onde especialistas do Pnud estão estudando como preservar cerca de 60% da produção de cebola que apodrece antes de ser comercializada. "Temos um problema muito sério em nosso planeta", disse ele. "É improvável que apenas alavancar os métodos de produção com fertilizantes e pesticidas do século XX vá resolver o desafio".

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