ONU diz que protestos no Haiti têm motivação política

Entidade diz que ataques contra voluntários e soldados atrapalham combate à cólera

BBC

17 de novembro de 2010 | 10h44

PORTO PRÍNCIPE - A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que os ataques dos haitianos contra os trabalhadores voluntários e contra os soldados da entidade no Haiti têm o objetivo de criar um clime da instabilidade política no país e estão atrasando seriamente a resposta internacional para a epidemia de cólera que assola a nação caribenha.

 

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Voos com ajuda humanitária foram cancelados, os processos de purificação de água e de treinamento foram cortados, informou a ONU. A entidade ainda informou que armazéns de alimentos foram incendiados ou saqueados.

 

Alguns haitianos culpam os soldados nepaleses da ONU de terem levado a cólera ao país. Até o momento, a doença matou mais de mil haitianos e causou mais de 15 mil hospitalizações. A República Dominicana, único país vizinho do Haiti, registrou na terça-feira seu primeiro caso de cólera.

 

A missão da ONU no Haiti (Minustah) pediu o fim dos protestos violentos nas cidades de Cap-Haitien e Hinche, onde as manifestações atrapalharam os esforços contra o surto.

 

Na segunda-feira, homens armados abriram fogo contra soldados da ONU em Quartier Morin, na região do Norte. Ao menos dois haitianos morreram, um deles baleado por um soldado. Seis militares ficaram feridos em Hinche.

 

Durante a terça-feira, houve mais protestos em Cap-Haitien. Os haitianos construíram barricadas, atiraram pedras contra veículos da ONU e incendiaram uma delegacia. A ONU informou ter cancelado voos levando medicamentos e produtos de higiene para o norte do país, onde a epidemia está centralizadas.

 

Algumas pessoas também saquearam um armazém do Programa Mundial de Alimentos, destruindo 500 toneladas de alimentos. Organizações humanitárias com missões na área também suspenderam seus projetos.

 

Os protestos tiveram início quando alguns haitianos passaram a culpar os soldados nepaleses por levar a doença ao país. Segundo a ONU, os testes realizados nos militares provaram que nenhum deles estava infectado. A entidade disse que a violência estava ligada à deturpação das eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 28.

 

"O modo como os eventos ocorreram sugere que os incidentes têm motivação política e têm o objetivo de criar um clima de insegurança para as eleições. A Minustah pede para que as pessoas permaneçam em atenção e não se deixem manipular pelos inimigos da estabilidade e da democracia no Haiti", diz o comunicado da ONU.

 

O país caribenho, o mais pobre das Américas, ainda se recupera do terremoto que o devastou em janeiro, deixando cerca de 200 mil mortos e 1,3 milhão de desabrigados. Segundo o governo, a cólera até agora matou 1.034 pessoas e deixou 16.700 hospitalizadas.

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