ONU diz que recebeu só 40% das doações ao Paquistão

Vítimas das enchentes no Paquistão saquearam caminhões que levavam alimentos para flagelados nesta terça-feira, enquanto autoridades no noroeste do país alertaram que uma crise de fome atingirá a região, a menos que os agricultores recebam ajuda imediata para plantar os grãos. A Organização das Nações Unidas (ONU) apelou por US$ 459 milhões para o auxílio imediato ao Paquistão e até agora recebeu 40% disso, afirmou o porta-voz da ONU, Fabrizio Giuliano. Outros US$ 43 milhões foram pedidos. Na cidade de Shikarpur, cerca de 100 flagelados saquearam dois caminhões que transportavam alimentos.

AE-AP, Agência Estado

17 de agosto de 2010 | 20h28

As enchentes começaram há três semanas, mas existem poucos sinais de que as condições estejam melhorando para as cerca de 20 milhões de pessoas afetadas - um a cada nove paquistaneses. Dezenas de milhares de vilarejos permanecem debaixo das águas e o governo teme que mais enchentes estejam a caminho. A comunidade internacional está enviado água, alimentos, medicamentos e trabalhadores humanitários ao Paquistão, mas os grupos humanitários e o governo britânico já reclamaram que o auxílio tem sido lento e não suficiente para a dimensão das necessidades.

"Nós gostaríamos que nossos apelos se convertessem rapidamente em cheques, porque a situação está pior a cada dia", afirmou Giuliano. O Banco Mundial disse que redirecionará US$ 900 milhões em empréstimos atuais ao Paquistão para o combate às enchentes.

"A vasta extensão geográfica das regiões afetadas pelas enchentes, bem como das populações atingidas, significam que muitas pessoas ainda precisam receber auxílio humanitário, que é desesperadamente necessário", disse a ONU. A ONU também afirma que o número de crianças e mães que amamentam afetadas pelas enchentes e os crescentes casos de diarreia "apontam em direção a um risco claro de má nutrição entre as populações afetadas".

As enchentes mataram 1,5 mil pessoas e inundaram uma área de 700 mil hectares de terra produtiva, onde eram cultivados trigo, cana-de-açúcar e arroz. Os preços de alimentos subiram drasticamente. A distribuição de alimentos está caótica na província do Sind, a mais populosa do país. "Nós nunca lidamos com uma calamidade desse tamanho", disse Faisal Edhi, que trabalha para a principal organização privada de assistência do Paquistão, a Fundação Edhi.

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