ONU diz que vítimas de ciclone em Mianmar não recebem ajuda

União Européia defende usar "todos os meios" das Nações Unidas para ajudar sobreviventes do Nargis

Agências internacionais,

13 de maio de 2008 | 09h44

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta terça-feira, 13, que apenas uma pequena fração da ajuda internacional enviada à Mianmar está chegando às vítimas do ciclone que devastou o país em 3 de maio. Fortes chuvas atingiram na terça-feira os sobreviventes, complicando ainda mais a distribuição de ajuda humanitária a cerca de 1,5 milhão de vítimas no delta do rio Irrawaddy, no sul de Mianmar. "Existe obviamente grande frustração com o fato de todo esse esforço de ajuda não ter sido acelerado" dez dias depois da passagem do ciclone Nargis, declarou Richard Horsey, porta-voz das operações humanitárias da ONU em Bangcoc, capital da vizinha Tailândia. A ajuda internacional continua chegando lentamente ao país, e é cada vez maior a pressão externa para que a junta militar birmanesa acelere a distribuição dos mantimentos aos necessitados. O recluso regime proíbe o acesso de estrangeiros ao interior do país. A tempestade devastou o delta do Rio Irrawaddy e deixou um saldo de pelo menos 62 mil mortos ou desaparecidos, de acordo com a contagem da junta militar birmanesa. A ONU especula que o número real de mortos provavelmente superaria a marca dos 100 mil. Mais de 2 milhões de pessoas perderam as casas e as plantações de arroz das quais obtinham sustento. O Programa Mundial de Alimentação, administrado pela ONU, informou que consegue enviar somente 20% da ajuda alimentar necessária por causa de gargalos, problemas logísticos e das restrições impostas pelo governo de Mianmar. "A ajuda não está chegando a pessoas o bastante nem transcorre na velocidade necessária", queixou-se Horsey à Associated Press. Grande parte dos sobreviventes está abrigada em monastérios budistas ou acampa ao relento, bebendo água contaminada por cadáveres e carcaças. Remédios e alimentos são escassos. A junta militar não tem emitido vistos de entrada para agentes humanitários estrangeiros e controla a distribuição da ajuda enviada. Ajuda a qualquer custo O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, defendeu nesta terça-feira, 13, usar "todos os meios" previstos na Carta das Nações Unidas para garantir a ajuda às vítimas do ciclone Nargis em Mianmar.  Antes da reunião extraordinária dos responsáveis de ajuda humanitária dos governos da UE, Solana disse aos jornalistas que a situação em Mianmar é "de um pouco mais de cooperação, mas ainda muita recusa". "Neste momento, o objetivo mais importante é fazer com que a ajuda internacional entre no país. Há muita gente em Mianmar que está sofrendo", disse. "Certamente, temos que usar todos os meios para ajudar as pessoas. A Carta das Nações Unidas abre algumas vias para oferecer ajuda a um país que foi vítima de uma catástrofe como a sofrida por Mianmar, e se os líderes do país não permitirem o acesso rápido e bem organizado", disse. Solana fez estas declarações após ser perguntado pela proposta francesa de aprovar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que imponha a oferta de ajuda internacional, se a Junta Militar birmanesa continuar restringindo seu acesso. Solana disse que a reunião que acontece entre os representantes dos países-membros da UE em Bruxelas tem por objetivo analisar "a coordenação" e a posição a manter nos contatos com os países da região asiática.

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