ONU diz ter desistido de entrega de ajuda após Síria insistir no uso de rota perigosa

Tiroteios forçaram a Organização das Nações Unidas a abortar a entrega de alimentos e vacinas contra a poliomielite para uma área sitiada de Damasco depois que o governo sírio insistiu que a entidade usasse uma rota perigosa, disse um porta-voz da ONU.

OLIVER HOLMES, Reuters

15 de janeiro de 2014 | 19h24

Funcionários da área humanitária na Síria acusam as autoridades de impedir as entregas a áreas sob controle rebelde e de ameaçar expulsar grupos que ajudam pessoas encurraladas pela guerra civil de quase três anos. A Síria culpa os ataques de rebeldes pelo atraso na ajuda.

A agência da Organização das Nações Unidas que dá assistência aos refugiados (Unrwa) disse que o governo sírio tinha autorizado um comboio de seis caminhões a entregar alimentos para 6.000 pessoas, 10.000 doses de vacina contra a pólio e suprimentos médicos para o distrito palestino de Yarmouk, onde se sabe que 15 pessoas morreram de desnutrição e 18.000 estão cercadas pelos combates.

O porta-voz da Unrwa, Chris Gunness, afirmou em um comunicado que as autoridades sírias haviam "requerido" que usassem a entrada sul para Yarmouk.

Isso significava ter de dirigir 20 quilômetros "através de uma área de conflito armado frequente e intenso, na qual numerosos grupos de oposição, incluindo algumas das facções jihadistas mais extremistas, têm uma presença forte e atuante".

Quando o comboio passou pelo posto de controle sul, sua escolta do governo sírio enviou um buldôzer para remover escombros da estrada e foi alvo de tiros de agressores desconhecidos.

Começou o fogo de metralhadoras e uma granada de morteiro explodiu perto do comboio, disse Gunness, e a segurança síria da Unrwa orientou o comboio a se retirar. Ninguém ficou ferido, afirmou.

CERCO

Moradores de Yarmouk estão há meses cercados com os rebeldes, sob sítio das forças do governo. Ativistas da oposição dizem que o governo está usando a fome como arma de guerra contra seu povo, e a ONU pediu maior acesso para entrega de ajuda no país.

Segundo o governo sírio, os rebeldes é que têm de ser responsabilizados pelos tiros contra o comboio de ajuda.

"Diante dos relatos de grande desnutrição em Yarmouk, diante de relatos de mulheres morrendo ao dar à luz por falta de cuidados médicos, diante de relatos de crianças comendo ração de animais para sobreviver, é isso o que acontece com o comboio da Unrwa", disse Gunness.

"Esse é um revés extremamente decepcionante para os moradores de Yarmouk que continuam a viver em condições humanamente miseráveis."

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