ONU diz ter provas de que ataques aéreos mataram 90 afegãos

Organização afirma que entre as vítimas estão 60 crianças; EUA dizem que 25 rebeldes foram mortos na operação

Agência Estado e Associated Press,

26 de agosto de 2008 | 08h00

A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou ter encontrado "evidências convincentes" de que a soldados afegãos e estrangeiros mataram mais de 60 civis, inclusive 60 crianças, em recentes bombardeios contra o oeste do Afeganistão. A ONU diz que baseou suas informações em depoimentos da população e das autoridades locais, mas não apresentou aos jornalistas fotografias nem outros tipos de evidência.   A coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão alega ter matado 25 rebeldes islâmicos em um ataque aéreo contra o distrito de Shindand, na província de Herat, realizado na sexta-feira da semana passada. O comando militar americano admite que cinco civis também morreram no bombardeio e prometeu investigar o caso. De acordo com a ONU, combase em depoimentos de testemunhas e outras pessoas, 90 civis foram mortos, sendo 60 crianças, 15 mulheres e 15 homens". Houve ainda 15 civis feridos, segundo a investigação da ONU.   O governo do presidente Hamid Karzai, numa declaração dura, ordenou aos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa que regulamentem a presença de tropas estrangeiras no país e tentem negociar o "fim dos ataques aéreos a alvos civis, operações de busca descoordenadas e detenções ilegais de civis afegãos".   A declaração de Karzai parecia destinada tanto aos soldados dos EUA quanto às tropas da Otan. Agora, a acusação da ONU tem potencial para elevar a tensão entre os militares americanos, o governo afegão e a própria entidade. Humayun Hamidzada, porta-voz de Karzai, disse nesta terça-feira, 26, que a decisão do presidente foi tomada depois de funcionários do governo terem "perdido a paciência" com as tropas estrangeiras e os sucessivos casos de morte e detenção de civis em operações contra lugares remotos do país.   "Nós não queremos que as forças internacionais deixem o Afeganistão até que nossas instituições de segurança sejam capazes de defender sozinhas o Afeganistão", explicou Hamidzada. "Mas a presença dessas forças deve ser pautada pelas leis afegãs e pelo respeito às leis internacionais", argumentou. O porta-voz observou ainda que "o Afeganistão de hoje é diferente do Afeganistão de 2001", quando tropas estrangeiras lideradas pelos EUA invadiram o país em resposta aos atentados do 11 de Setembro.   O capitão Mike Windsor, porta-voz da Otan em Cabul, disse que ouviu falar da decisão pela mídia, mas assegurou que a entidade ainda não foi formalmente notificada. Ele salientou que a missão da Otan "é baseada em um mandato da ONU e realizada a convite do governo afegão". O comando militar americano ainda não se pronunciou sobre o assunto.   Um porta-voz da Casa Branca disse que o caso está sendo investigado e afirmou que o Departamento de Defesa (Pentágono) acredita que "foi um bom ataque". Comandantes das forças dos EUA e da Otan asseguram que tomam o máximo cuidado ao atacar e acusam os rebeldes de se esconderem em áreas civis.

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