ONU e Casa Branca saúdam novo tom na política externa do País

Para a embaixadora dos EUA na ONU, o Brasil precisa ser incentivado a tomar mais decisões como o voto de 5ª-feira

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2011 | 00h00

A cúpula da ONU comemora o que chama de "um novo tom" na política externa brasileira e contraria a tentativa do Brasil de tentar dar a impressão de que não há ruptura em relação às posições tomadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as decisões da atual presidente Dilma Rousseff.

Na quinta-feira, o Brasil reverteu oito anos de apoio ao Irã e votou a favor do envio de um relator para investigar os abusos de direitos humanos pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad. A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, tentou reduzir a importância do voto, dizendo que não se tratava de uma ação contra o Irã e indicando que o voto era "coerente" com as posições brasileiras.

Ao explicar seu voto, o Brasil teve dois cuidados: o de não criticar o governo do ex-presidente Lula e o de não deixar transparecer que os últimos oito anos haviam sido um erro. Pelo menos na retórica, a meta era a de demonstrar continuidade.

"A nova posição reflete diretamente a marca na política externa da presidente (Dilma) que parece querer mostrar força na questão dos direitos humanos", afirmou o presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o tailandês Sihasak Phuangketkeow, ao Estado. Ele lembrou que a preocupação de Dilma com direitos humanos vem de sua "história pessoal e do fato de ela ter sofrido também com a repressão", em uma referência ao fato de a presidente ter sido presa durante o regime militar no Brasil. "Ela agora quer mostrar sua preocupação com a agenda de direitos humanos."

No gabinete da alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, o sentimento era o de que a mudança de posição do Brasil e o "novo tom" tinham sido "para melhor".

Incentivos. A embaixadora dos EUA na ONU, Eileen Donahoe, também confirmou ao Estado que a decisão do Brasil de apoiar a resolução "foi muito bem recebida" na Casa Branca. Barack Obama havia feito pessoalmente o pedido a Dilma para votar pela resolução. "Temos de incentivar o Brasil a tomar mais decisões como essa", afirmou.

O governo americano comemorou a mudança da posição do Brasil sobre o Irã, mas admitiu que essa atitude por si só não credenciaria o País a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

"O Brasil mostrou a liderança que tanto esperávamos", afirmou a embaixadora ao Estado. "O que vimos foi um show de liderança da presidente (Dilma) e o governo americano apreciará muito isso", declarou.

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