ONU e grupos de ajuda pedem fim do bloqueio a Gaza

Cinquenta grupos humanitários internacionais e agências da Organização das Nações Unidas (ONU), dentre elas a Organização Mundial da Saúde, pediram nesta quinta-feira que Israel abra as fronteiras de Gaza, afirmando que o bloqueio viola leis internacionais e indiscriminadamente prejudica os 1,6 milhões de habitantes da região.

AE, Agência Estado

14 de junho de 2012 | 13h05

O apelo foi feito no 5o aniversário da imposição do embargo, que aconteceu após militantes islâmicos do Hamas assumirem o controle de Gaza de forma violenta em junho de 2007. Há dois anos Israel passou a permitir a importação de grande quantidade de bens de consumo, mas continua proibindo praticamente toda a exportação de Gaza e viagens para fora do território.

Israel justifica o bloqueio como uma forma de impedir que o Hamas aumente seu arsenal militar e que militantes ataquem o país. A carta de fundação do Hamas pde a destruição de Israel e, nos seus 25 anos de história, o grupo matou centenas de israelenses em tiroteios e bombardeios.

Entretanto, as agências humanitárias afirmam que o bloqueio pune principalmente os cidadãos comuns de Gaza, pois asfixia a economia, forçando doadores estrangeiros a empregar o dinheiro na ajuda humanitária ao invés de realizar investimentos.

"O que Gaza precisa é de um desenvolvimento real, mas por causa do bloqueio nós somos obrigados a concentrar esforços no trabalho humanitário", afirmou Filippo Grandi, chefe da agência da ONU para Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês). Gastos com necessidades emergenciais, como comida e remédios, não resolvem problemas fundamentais, disse Grandi. A UNRWA é maior agência estrangeira de Gaza, apoiando mais de 1,2 milhões de refugiados e seus descendentes.

Um terço da força de trabalho de Gaza está desempregada, e exportações são apenas 5% do que eram em 2007. Cerca de 60% dos habitantes têm menos de 18 anos e o desemprego entre os jovens é de 51%, informou Grandi.

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse que as restrições continuam pois o Hamas não mudou sua política de violência. "A razão fundamental para a falta de desenvolvimento econômico em Gaza é que os extremistas do Hamas colocam sua agenda jihadista acima dos interesses da população", afirmou Regev. As informações são da Associated Press.

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