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ONU é 'mecanismo do colonialismo', diz líder do Sudão

O presidente do Sudão, Omar Bashir, alvo de uma ordem internacional de prisão emitida ontem, denunciou hoje o tribunal que emitiu o mandado, a Organização das Nações Unidas (ONU) e as agências assistenciais como "mecanismos de colonialismo" que têm como objetivo desestabilizar seu país. Diante de milhares de simpatizantes, Bashir mostrou-se desafiador em um momento no qual o mandado começa a ter suas primeiras repercussões práticas. As dez agências humanitárias que atuam no Sudão e receberam ordem para deixar o país começaram hoje a preparar a retirada.Agentes humanitários advertiram que a expulsão das entidades, que atuam em Darfur distribuindo comida e medicamentos e fornecendo moradia, poderia desencadear uma crise entre os cerca de 2 milhões de habitantes da região, situada no oeste sudanês. Em suas primeiras declarações públicas depois da expedição do mandado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), Bashir disse a seu gabinete de ministros que as agências, a ONU e a corte são "mecanismos do colonialismo" que tentam colocar sob controle o Sudão e seus recursos naturais.Bashir acusou as organizações humanitárias de tentarem sabotar os esforços de paz em Darfur, lucrando com o conflito e interferindo nos investimentos externos. "Nós no Sudão sempre fomos alvo da ONU e dessas entidades porque dizemos ''não''", declarou Bashir. "Nós dizemos que os recursos do Sudão devem ir para o povo do Sudão." Ontem, o TPI emitiu em Haia um mandado de prisão contra Omar Bashir. Na ordem de prisão internacional, Bashir é acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na região sudanesa de Darfur. O painel de três juízes do TPI descartou acusações de genocídio por falta de provas.De acordo com estimativas da ONU, mais de 300 mil pessoas morreram e cerca de 2,5 milhões foram obrigadas a fugir em mais de cinco anos de conflito em Darfur. A violência começou quando integrantes de tribos africanas da região pegaram em armas e rebelaram-se contra o governo sudanês. As tribos africanas queixam-se de décadas de negligência e discriminação. O governo iniciou então uma reação durante a qual uma milícia árabe pró-Cartum cometeu atrocidades contra a comunidade africana.

AE-AP, Agencia Estado

05 de março de 2009 | 11h31

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