ONU e OEA alertam para impunidade em mortes de jornalistas mexicanos

Segundo CNDH, 64 jornalistas foram mortos e 11 estão desaparecidos no país desde 2000

Efe,

24 de agosto de 2010 | 23h22

CIDADE DO MÉXICO- Os relatores da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a liberdade de expressão fizeram duras críticas ao governo do México por causa da "impunidade geral" diante das mortes de jornalistas no país e exigiram proteção aos profissionais do setor.

 

"O pleno exercício da liberdade de expressão no México enfrenta graves e diversos obstáculos", diz um relatório preliminar que representantes das organizações, que estão no México desde o último 19, divulgaram nesta terça-feira, 24.

 

Os relatores validaram os números da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) de 64 jornalistas mortos e 11 desaparecidos desde 2000, sempre em ações atribuídas ao crime organizado. Outras fontes mencionam mais de 70 assassinatos, dez deles neste ano.

 

A maioria dos crimes não foi investigada, o que gerou uma onda de indignação entre os jornalistas no México, levando à organização de passeatas em 14 cidades do país contra a passividade do governo neste tema.

 

Catalina Botero, relatora da OEA, considerou que o problema "não pode continuar invisível" e que falta um mapa da impunidade.

 

Um dos problemas é que a Promotoria especial criada para cuidar da violência contra jornalistas não tem competências para fazer as investigações, conduzidas de forma comum na maioria dos casos.

 

Por isso, foi feito o pedido para que estes crimes sejam tratados na esfera federal. Também foi solicitada a criação de um sistema nacional de proteção a jornalistas.

 

No entanto, os relatores mostraram esperança com o plano de trabalho de seu atual responsável, que assumiu o cargo há alguns meses.

 

O relator da ONU, Frank La Rue, pediu para que as investigações comecem sempre pelo lado que possa estar relacionado com o trabalho da vítima como jornalista e que os familiares recebam apoio.

 

"Vimos algumas viúvas de jornalistas que não encontraram nenhum tipo de ajuda econômica de ninguém, nem do seguro social, nem de nenhum outro ente", lamentou La Rue.

 

Os representantes da ONU e da OEA visitaram várias partes do país e constataram que "há comunidades totalmente paralisadas" pela intimidação do crime organizado. Além disso, a impunidade "incentiva de maneira perversa a reprodução dos crimes".

 

Os estados mais afetados por estes crimes são aqueles nos quais há uma maior presença dos cartéis do narcotráfico: Chihuahua, Coahuila, Tamaulipas e Sinaloa (norte), Durango (centro) e Michoacán e Guerrero (sul).

 

A intensa violência derivada da guerra entre os cartéis deixou 28 mil mortos em pouco mais de três anos. A disputa chegou às portas dos veículos de imprensa, que se veem pressionados pelo crime organizado.

 

Honduras

 

O jornalista hondurenho Israel Díaz foi assassinado nesta terça-feira, 24, nas proximidades de San Pedro Sula, no norte do país. Com o caso, chega a nove o número de jornalistas mortos em Honduras neste ano, de acordo com a imprensa local.

 

O corpo do repórter, segundo fontes policiais citadas pela mídia, tinha três marcas de bala na cabeça e foi deixado em uma plantação de cana de açúcar no setor de Villanueva.

 

Díaz, que tinha cerca de 50 anos, era um dos apresentadores do programa de rádio "Claro y pelado", também dirigido pelo jornalista Arlos Rodríguez em uma emissora de San Pedro Sula, a segunda cidade mais importante de Honduras.

 

Há alguns anos, Díaz ficou preso após ter se envolvido na morte de uma pessoa, segundo versões da imprensa local.

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