ONU e ONGs temem que EUA usem minas terrestres no Iraque

ONGs e o departamento da ONU responsável pelo monitoramento de desarmamentos alertam: os Estados Unidos não descartam usar armas proibidas em uma eventual guerra no Iraque. A Casa Branca estaria disposta a usar minas terrestres em sua invasão, o que é ilegal segundo uma convenção assinada por vários países, entre eles Brasil, Inglaterra e a maioria dos membros da Otan.O problema é que o governo de George W. Bush não assinou o tratado, feito em 1997, e afirma, em um documento oficial, que o Pentágono "mantém seu direito de usar minas" em um possível conflito contra o regime de Bagdá.Segundo a organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch, os norte-americanos possuem cerca de 90.000 minas estocadas no Golfo Pérsico que seriam rapidamente transportadas para o Iraque.As armas estariam em depósitos no Bahrein, Kuwait, Omã, Catar e em Diego Garcia, ilha britânica no meio do Oceano Índico.Essa não seria a primeira vez que as minas seriam utilizadas no Iraque. Em 1991, a Casa Branca espalhou cerca de 117.000 minas pelo território. Bagdá também usou minas, principalmente na fronteira com Irã e Kuwait. Durante os anos 80, o Iraque também usou a arma em sua guerra contra Teerã.Segundo a ONU, o resultado de todas essas iniciativas militares tem sido bastante negativo para o país. Cerca de 148.000 famílias vivem em áreas consideradas perigosas pela existência de minas ainda não identificadas. Uma média de 30 pessoas morrem por mês no Iraque por causa das minas e, durante a Guerra do Golfo, 81 soldados norte-americanos foram vítimas das armas.Durante a década de 90, a ONU gastou US$ 80 milhões para limpar o território iraquiano das minas. Mas, em mais de dez anos de trabalhos, apenas 50.000 armas foram localizadas e destruídas, menos da metade do que foi colocado, apenas pelos Estados Unidos, nas poucas semanas de batalhas em 1991.Para a Human Rights Watch, caso a Casa Branca utilize de fato as minas, toda a campanha mundial contra esse tipo de arma será prejudicada.A ONG acredita que outros governos não hesitariam em copiar a maior potência militar do mundo e acabariam usando, produzindo ou exportando minas terrestres.

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