ONU e Otan buscam terroristas ligados a Bin Laden

A atuação coordenada da comunidade internacional na luta contra o terrorismo já começa a ser implementada. As Nações Unidas (ONU) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) decidiram apertar o cerco contra os terroristas na Bósnia e Hezergovina, ligados a Osama bin Laden, principal suspeito de ter cometido os atentados em Nova York e Washington."Estamos controlando todos aqueles que entram no país e todos os estrangeiros que já estão na região", afirma o chefe da administração da ONU, em Sarajevo, Souren Seraydarian.A informação da ONU e do governo local é de que uma rede de colaboradores do terrorista saudita estaria atuando na Bósnia. "Muitos desses extremistas vieram para os Bálcãs durante a Guerra da Bósnia, no início da década de 90", afirma um funcionário do Alto Comissariado da ONU para Refugiados.O objetivo desse grupo era ajudar a população muçulmana na ex-Iugoslávia, que lutava contra a limpeza étnica conduzida pelos sérvios. "Ninguém sabe exatamente quantos vieram, mas muitas pessoas do Oriente Médio foram identificadas durante os últimos anos na região", diz o funcionário da ONU. Segundo ele, os extremistas eram os combatentes mais temidos durante as guerras nos Bálcãs.Seraydarian garante que a Interpol está auxiliando a indicação de nomes de pessoas que poderiam ter alguma relação com o terrorista. "Estamos verificando cada um desses nomes", afirma o chefe da administração da ONU na capital da Bósnia.Mas segundo ele, não são apenas os muçulmanos que estão sendo checados. "Queremos combater o terrorismo, não o Islamismo?, afirma Seraydariam. De fato não foram apenas os extremistas islâmicos que desembarcaram nos Bálcãs durante os conflitos. Relatos em Sarajevo contam que, no início dos anos 90, mercenários canadenses de origem croata chegaram na região para ajudar nos combates contra sérvios e bósnios.Nos últimos dias a segurança na fronteira da Bósnia com a Iugoslávia com a Croácia foi fortalecida. Todos os passaportes são cuidadosamente checados e carros podem esperar até duas horas para conseguir entrar no país. O próprio correspondente do Estado teve seu passaporte verificado inúmeras vezes todos os dias. O motivo das suspeitas: um documento brasileiro (pouco comum na região) com um nome de origem árabe.A nova estratégia de segurança da ONU ainda inclui uma atenção especial para os funcionários internacionais que trabalham em programas de ajuda humanitária. A preocupação é de que esses funcionários podem ser atacados e tomados como reféns por grupos extremistas. Além disso, todos os vôos da ONU foram cancelados e o transporte no país está sendo feito pelas rodovias. ManifestaçõesOutro temor da ONU é de que, casos os Estados Unidos ataquem o Afeganistão nos próximos dias em represália aos atentados da semana passada, os grupos extremistas na Bósnia possam organizar manifestações em Sarajevo. "Isso comprometeria ainda mais a situação delicada entre as diferentes etnias no país", afirma um assessor do governo bósnio.O próprio presidente da Bósnia, Beriz Belkic, reconhece que seis anos após o final da guerra que matou 250 mil pessoas ainda não existe confiança entre os sérvios, croatas e bósnios, de religião muçulmana.

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