ONU e países da Ásia realizam conferência para ajudar Mianmar

Agências de ajuda pedem que governo esclareça regras para que operem nas áreas devastadas por ciclone

Agência Estado e Associated Press,

24 de maio de 2008 | 16h17

As agências de ajuda estrangeiras pediram neste sábado, 24, à junta que governa Mianmar que esclareça as regras para que operem nas áreas mais devastadas, no interior do país, pelo ciclone Nargis, que matou cerca de 78 mil pessoas e deixou outras 56 mil desaparecidas. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, visitou o país neste sábado e demonstrou confiança de que a junta militar colabore com as agências de ajuda. Mas alguns grupos mostram ceticismo.   Veja também: Termina plebiscito em regiões arrasadas de Mianmar   A concessão para que a ajuda estrangeira atue no interior do país foi dada na sexta-feira pelo governo, após três semanas de resistência da junta militar. Há interpretações de que a permissão visa conseguir mais ajuda das 45 nações que irão se reunir numa conferência no domingo em Yangon, maior cidade comercial de Mianmar, para conseguir doações.   As Nações Unidas lançaram apelo para obter uma ajuda emergencial de US$ 201 milhões ao país. O valor deverá subir, conforme os peritos acessarem o delta de Irrawaddy, região mais atingida pelo ciclone. Até o momento, as Nações Unidas receberam US$ 50 milhões em contribuições e cerca de US$ 42,5 milhões em promessas de ajuda, disse a porta-voz para o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas.   A conferência em Yangon tem o apoio das Nações Unidas e de 10 países da Associação das Nações do Sudeste da Ásia, que comandam a organização da entrega de ajuda a Mianmar, um dos membros da associação. O governo de Mianmar estima que os prejuízos econômicos causados pelo ciclone cheguem a US$ 11 bilhões.   Alguns críticos dizem que a abertura do acesso ao interior do país à ajuda estrangeira distraiu a atenção do referendo constitucional realizado hoje em Yangon e nas áreas mais atingidas pelo ciclone.   O restante do país votou em 10 de maio no referendo e a radio estatal disse que, apesar do atraso nas votações, a aprovação à constituição está garantida, com 92,4% votos a seu favor. "Estou mais preocupado com minha refeição diária", disse um homem de 45 anos que votou neste sábado no referendo e perdeu seu criadouro de peixes no ciclone.  

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