ONU é processada por epidemia de cólera no Haiti

Indícios apontam que doença foi levada ao país por soldados nepaleses; valor das indenizações não foi revelado

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2013 | 02h05

Advogados que representam as vítimas da recente epidemia de cólera ocorrida no Haiti, cuja causa é atribuída às tropas de paz da ONU que atuam no país, abriram ontem um processo judicial em Nova York no qual pedem uma indenização bilionária da organização.

Meses atrás, a ONU havia anunciado que não tinha a intenção de indenizar as vítimas. Estima-se que a epidemia de cólera no Haiti contaminou cerca de 680 mil pessoas, matando mais de 8,3 mil, desde outubro de 2010. "O Haiti hoje tem a pior epidemia de cólera no mundo", afirmou o advogado Ira Kurzban, que anunciou o processo em nome das entidades de direitos humanos Escritório dos Advogados Internacionais (BAI, na sigla em francês) e Instituto para a Justiça e a Democracia no Haiti (IJDH).

A ação judicial pede US$ 2,2 bilhões para que o governo do Haiti erradique a cólera em seu território. O processo alega que soldados a serviço da ONU trouxeram do Nepal o vibrião que provoca a doença. "O Nepal é um país em que a cólera é endêmica e onde um aumento de infecções havia sido relatado." A cólera causa diarreia intensa, desidratação e morte.

"Os autores da ação incluem haitianos e haitiano-americanos que contraíram cólera, assim como parentes daqueles que morreram em razão da doença", disse, em nota, o IJDH.

Uma comissão nomeada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para estudar a epidemia, divulgou, em 2011, um relatório que não determinava como a cólera chegou ao Haiti. No entanto, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA encontrou fortes indícios de que soldados nepaleses levaram a doença ao país.

Em novembro de 2011, o IJDH apresentou um pedido à ONU solicitando um mínimo de US$ 100 mil para as famílias de cada pessoa morta por cólera no Haiti e pelo menos US$ 50 mil para quem adoeceu. / REUTERS

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