ONU e Síria chegam a acordo para abrir quatro escritórios humanitários no país

Os gabinetes serão abertos nas cidades de Deraa, Dayr, Homs e Idlib

Efe,

05 de junho de 2012 | 12h03

GENEBRA - As Nações Unidas chegaram a um acordo com o regime de Bashar al Assad para abrir quatro escritórios em cidades sírias para coordenar a ação humanitária no país.

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O anúncio foi feito nesta terça-feira, 5, pela vice-secretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, durante a terceira reunião do Fórum Humanitário sobre a Síria, realizada em Genebra.

Os gabinetes serão abertos nas cidades de Deraa, Dayr, Homs e Idlib, disseram à Agência Efe fontes presentes no fórum.

O acordo foi alcançado pelo coordenador humanitário regional do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Radhouane Noucier, que será também o encarregado de estabelecer os escritórios.

A data para que eles comecem a funcionar, no entanto, ainda não foi definida. A ONU espera com os gabinetes poder implementar um plano para atender mais de um milhão de civis sírios.

"Agora temos um acordo por escrito assinado pelo governo sírio. O que é preciso agora é ver se podemos implementá-lo. A prova virá nos próximos dias, eu não posso prever o que se passará", afirmou em entrevista coletiva o diretor de operações da OCHA, John Ging.

Fontes das Nações Unidas disseram que o acordo não significa que ele poderá ser aplicado, já que a Síria vem sistematicamente impedindo a implementação do plano de contingência da ONU.

Os quatro novos escritórios da ONU deverão atuar de forma coordenada com o Crescente Vermelho Sírio. Além disso, o executivo de Bashar al Assad permitiu que mais ONG's locais colaborem com as agências das Nações Unidas.

"Nos próximos dias se colocará a prova a boa fé do governo sírio", afirmou Ging, que acrescentou que o acordo precisa ser implementado o mais rápido possível: "em dias, e não meses".

Nos últimos meses, a ONU conseguiu entregar alguma assistência humanitária no interior do país, mas numa escala muito menor do que a necessidade.

"Há um buraco enorme entre o que se entrega e as necessidades", especificou Ging. "Necessitamos de uma presença real e a longo prazo no terreno para aliviar o sofrimento de um milhão de pessoas".

O Programa Alimentício Mundial (PAM) anunciou na reunião que está pronto para fornecer alimentos para 500 mil pessoas neste mês na Síria.

No encontro também foi anunciado que o número de refugiados sírios que estão vivendo nos países vizinhos (Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque) já supera 78 mil pessoas.

O conflito sírio já causou a morte de mais de 11 mil pessoas e mais 200 mil civis deverão abandonar seus lares.

 

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