ONU elogia cooperação do Iraque

Inspetores internacionais foram hoje até o palácio presidencial de Saddam Hussein, no Iraque, exigiram e receberam imediato acesso ao local, num teste de seus poderes para procurar armas de destruição em massa. Em Nova York, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, classificou como boa a cooperação do Iraque com as inspeções de um modo geral, mas advertiu que o processo está "apenas no início". A declaração de Annan contrastou com a do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que na segunda-feira considerou que os sinais vindos de Bagdá "não são encorajadores". Enquanto isso, uma alta autoridade iraquiana anunciou que o governo de Saddam, numa declaração prevista para o final desta semana, irá reafirmar sua posição de que não tem mais armas. A declaração certamente irá desagradar os EUA. Em Viena, na Áustria, a porta-voz da agência de controle nuclear da ONU, Melissa Fleming, disse que os iraquianos devem apresentar a declaração ao escritório da ONU em Bagdá no sábado - um dia antes do prazo final imposto pelo Conselho de Segurança da entidade. Esplendor Os monitores de armas da ONU encontraram apenas opulência e esplendor dentro do imenso palácio Al-Sajoud, às margens do rio Tigre. Na segunda-feira, as Nações Unidas anunciaram que inspetores não conseguiram encontrar alguns equipamentos que buscavam numa instalação relacionada a mísseis. Não foi a primeira vez em uma semana que os inspetores se depararam com esse problema. O chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, disse hoje à The Associated Press, em seu QG nas Nações Unidas, que o Iraque não criou obstáculos aos inspetores de armas durante a primeira semana de trabalhos, mas Bagdá tem de explicar porque tirou do lugar alguns equipamentos. Iraquianos garantiram hoje, como haviam feito nos dias anteriores, que estão cooperando com os inspetores. O general iraquiano Hossam Mohammed Amim, responsável pelo intercâmbio com os inspetores, disse hoje após a busca no palácio presidencial que "os inspetores estavam felizes". A equipe da ONU deixou o local no oeste de Bagdá depois de uma hora e meia e não fizeram comentários a repórteres, como tem sido a prática deles. A visita em si trouxe a mensagem que desta vez os inspetores têm liberdade de irem onde quiserem no Iraque, de acordo com um mandado do Conselho de Segurança exigindo que o governo de Bagdá se desfaça de armas químicas, biológicas e nucleares. Assim que os inspetores partiram, repórteres tiveram permissão para visitar o espetacular salão de entrada do palácio. Cada uma das oito paredes tinha poemas com letras douradas enaltecendo Saddam. Na década de 90, os iraquianos tentaram impedir o acesso de inspetores aos palácios. Foi necessária uma negociação particular entre Saddam e Kofi Annan para se chegar a um acordo. Os inspetores poderiam fazer as visitas com acompanhamento de diplomatas e com aviso prévio. Nessas inspeções nada foi encontrado. Acesso irrestrito Uma resolução da ONU adotada no mês passado impõe o acesso irrestrito a todos locais no Iraque. A guarda de segurança do palácio Al-Sajoud estava claramente consciente dos novos poderes. Depois de uma consulta pelo rádio que tomou apenas sete minutos, os portões foram abertos. Como sempre, não era publicamente conhecido o paradeiro de Saddam. Ele move-se freqüentemente entre as dezenas de palácios presidenciais espalhados por todo o país. A não anunciada visita ao Al-Sajoud ocorreu no sexto dia de inspeções, que foram retomadas depois de um hiato de quatro anos. Até agora, os inspetores, em mais de uma dezena de missões em campo, têm relatado que contam com a colaboração iraquiana. Kofi Annan afirmou hoje que ainda não recebeu um relatório dos inspetores sobre sua primeira semana de trabalhos. Mas ele estava satisfeito com o acesso irrestrito dos inspetores a todos os lugares, inclusive ao palácio. "Isso é uma indicação de que os inspetores estão usando sua nova autoridade efetivamente", considerou Annan. "Eles têm o direito de inspecionar e ir a qualquer lugar e têm demonstrado que estão determinados a usar essa nova autoridade." Bush A administração Bush alega que o Iraque possui armas químicas e biológicas - não percebidas durante as inspeções dos anos 90 - e não abandonou seu programa de armas nucleares. Bush ameaça travar uma guerra contra o Iraque, com ou sem o respaldo da ONU, se Saddam Hussein não se desarmar. Outros governos afirmam que apenas o Conselho de Segurança pode autorizar um ataque ao Iraque numa situação não envolvendo imediata autodefesa. Hoje, o general Amim disse a jornalistas em Bagdá que uma declaração iraquiana sobre suas armas que será entregue no fim da semana à ONU "incluirá novos elementos?, mas que não significam que o Iraque tenha armas. "O Iraque está livre de armas de destruição em massa", garantiu. Na década de 90, inspetores eliminaram toneladas de armas químicas e biológicas iraquianas e equipamentos para produzí-las, desmantelaram esforços de Bagdá para construir bombas nucleares e destruíram muitos mísseis de longo alcance. Esses inspetores não tinham certeza de que haviam encontrado todas as armas de destruição em massa do Iraque. Em Viena, hoje, um porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o organismo irá começar, no final deste mês, a analisar amostras colhidas pelos inspetores no Iraque. A agência, que supervisiona a busca de armas nucleares iraquianas, não deve apresentar seus resultados antes de 27 de janeiro.

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