ONU encontrou bombas de fragmentação em 359 lugares no Líbano

A Organização das Nações Unidas informou nesta terça-feira que até o momento foram identificados 359 lugares no Líbano onde há bombas de fragmentação, que representam um grave risco para a população civil, especialmente para crianças que as confundem com objetos inofensivos.No entanto, a ONU calcula que explosivos deste tipo podem ser encontrados em mais de 400 lugares, levando em conta que existem áreas consideradas de menor prioridade e vários povoados afastados que ainda não foram visitados por pessoal humanitário.As bombas de fragmentação e outros tipos de munição que não explodiram se tornaram - junto da falta de água - uma das principais preocupações dos organismos humanitários presentes no Líbano.O porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Michael Bociurkiw, disse que bombas de mais de 250 quilos foram encontradas em diferentes pontos do Líbano, como conseqüência dos 33 dias de combates entre Israel e a milícia xiita Hezbollah.Segundo o último relatório da ONU sobre o assunto, 44 pessoas ficaram feridas e outras 12 morreram no Líbano por causa de minas, munição ou bombas de fragmentação abandonadas.Bociurkiw disse que diante desta situação, uma das prioridades do Unicef é promover atividades recreativas destinadas às crianças para mantê-las afastadas dos lugares de risco."O perigo é maior quando as crianças estão à toa e por isso é importante mantê-las ocupadas, enquanto tentamos que recuperem pouco a pouco o sentido da normalidade", afirmou o porta-voz.Durante as próximas semanas, o Unicef continuará com sua campanha de prevenção através da televisão, avisos, panfletos e visitas de casa em casa para alertar crianças e adultos sobre o risco que os restos de explosivos representam.A partir de 9 de outubro, quando começa o ano letivo no Líbano, atrasado por causa da guerra, a organização continuará sua campanha através do sistema educacional.Bociurkiw disse que a distribuição de água engarrafada pelo Unicef foi acelerada e só na última segunda-feira foram entregues 140 mil litros, embora seja esperado que em breve o abastecimento seja feito através de caminhões-pipa e da reconstrução do sistema de distribuição.O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) indicou que também conseguiu aumentar a distribuição de ajuda à população e que desde o cessar-fogo, que entrou em vigor no dia 14 de agosto, pôde enviar 17 comboios com artigos de primeira necessidade.No entanto, a porta-voz do Acnur, Jennifer Pagonis, disse que à medida que o acesso de seu pessoal às regiões desabrigadas aumenta, é descoberta "a complexidade da situação de deslocamento forçado", na qual se encontram mais de um milhão de libaneses.Neste contexto, Pagonis disse que apesar da grande maioria ter voltado para seus lugares de origem, "milhares de libaneses continuam deslocados porque suas casas foram destruídas ou porque temem por sua segurança".

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