ONU enviará ajuda a Mianmar, apesar de carga apreendida

O Programa Mundial deAlimentação (WFP), agência ligada à Organização das NaçõesUnidas (ONU), disse na sexta-feira que retomará o envio dematerial de ajuda para Mianmar apesar de o governo militar dopaís ter apreendido os carregamentos já mandados ao aeroportode Yangun. Os Estados Unidos disseram que Mianmar aprovou um vôonorte-americano de ajuda ao país. "O Programa Mundial de Alimentação decidiu enviar amanhã,conforme o planejado, dois aviões carregados com suprimentos.Ao mesmo tempo, continuam as discussões com o governo deMianmar a respeito da distribuição dos alimentos enviados hojee ainda não repassados ao WFP", disse em um comunicado Nancy E.Roman, diretora de comunicação da entidade. Além disso, a ONU pediu na sexta-feira que seus 192países-membros doem 187 milhões de dólares para ajudar 1,5milhão de vítimas do ciclone Nargis. "O horizonte planejado para este apelo é de seis meses",disse a ONU em um documento que detalha o pedido de donativos."O apelo será atualizado regularmente para refletir as novasnecessidades com a evolução da situação". O número oficial de mortos em Mianmar continua a ser dequase 23 mil, além de outras 42.199 pessoas estaremdesaparecidas, o que faz do ciclone Nargis o mais violento aatingir a Ásia desde que um fenômeno do tipo fez 143 milvítimas fatais em Bangladesh, em 1991. Os meios de comunicação oficiais de Mianmar não atualizamas cifras desde terça-feira. Os carregamentos apreendidos pelo governo militar contêm 38toneladas de biscoito altamente energético, um montantesuficiente para alimentar 95 mil pessoas. Esses biscoitos deveriam ter sido colocados em caminhões eenviados para região do delta de Irrawaddy, onde está a maiorparte das 1,5 milhão de pessoas atingidas pelo ciclone. Essasvítimas necessitam de comida, água e abrigos. Governos de vários países pressionam a junta militar quecontrola Mianmar a abrir as fronteiras do país para as equipesde ajuda. Na sexta-feira, a Alemanha concordou com uma propostada França para mobilizar o Conselho de Segurança da ONU arespeito do caso. O governo de Mianmar afirmou que prefere receber ajuda "emdinheiro ou coisas do tipo" e que não deseja ver a entrada nopaís de equipes estrangeiras de emergência, muitas das quaisesperam por vistos na capital da Tailândia, Bangcoc. Porém, na noite de sexta-feira, um canal de TV de Mianmarafirmou que, segundo um membro importante da chancelaria dopaís, o governo não recusaria nenhum tipo de ajuda. Os Estados Unidos disseram que receberam permissão paraenviar um avião carregado de suprimentos na segunda-feira, masuma equipe de ajuda dos EUA não recebeu vistos. IMPASSE Aviões carregados com comida e outros materiais, vindos devários países asiáticos, pousaram em Yangun nos últimos dias.Além desses, duas aeronaves do WFP chegaram à cidade. Em um outro sinal do impasse existente entre os militaresde Mianmar e os países ansiosos para dar início a uma operaçãointernacional de ajuda, o primeiro-ministro da Tailândia, SamakSundaravej, cancelou uma visita que faria ao país no fim desemana. O premiê ouviu apelos dos EUA e da Grã-Bretanha para quenegociasse com a ditadura de Mianmar. Os sobreviventes do ciclone, que atingiu o país no sábadocom ventos de 120 quilômetros por hora, praticamente nãoreceberam assistência até agora. O Nargis atirou uma imensacoluna de água salgada sobre o delta de Irrawaddy. Na região de baixa altitude, a água vinda do mar destruiupoços, estoques de grãos e plantações de arroz. "Não há nenhuma ONG aqui. A ONU não está aqui. Só eu",afirmou o agricultor Tei Lin à Reuters desde a cidade deLabutta, localizada no delta. O ministro das Relações Exteriores da França, BernardKouchner, afirmou que seu país estava enviando um navio daMarinha carregado com 1.500 toneladas de material de ajuda. (Reportagem adicional de Ed Cropley e Darren Schuettler emBangcoc e Phil Stewart em Roma)

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