ONU: Estado Islâmico provoca morte de milhares no Iraque

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório nesta quinta-feira informando que os dez meses de atividades do Estado Islâmico no Iraque deixaram mais de 9 mil mortos.

PRISCILA ARONE, COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS, Estadão Conteúdo

02 de outubro de 2014 | 12h45

Segundo a ONU, os combates deixaram um rastro "assustador" de abusos aos direitos humanos e "atos de violência de crescente natureza sectária" cometidos pelos militantes, assim como pelas forças de segurança iraquianas e forças associadas.

Em relatório de 29 páginas, a missão especial da ONU no Iraque e do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da instituição diz que dentre os abusos está o fato de ter como alvo direto civis e prédios civis; o assassinato de civis; sequestros; estupros e outras formas de violência sexual e física contra mulheres e crianças; o recrutamento forçado de crianças; a destruição ou profanação de locais de significado religioso ou cultural, destruição gratuita e pilhagem de propriedade e a negação de liberdades fundamentais.

Em comunicado, a ONU diz que o número de mortos entre civis até agora neste ano é de pelo menos 9.347, enquanto 17.386 ficaram feridos. O documento diz que mais da metade das mortes aconteceu desde que o Estado Islâmico começou a tomar grandes partes do território norte do país, em junho.

"Este relatório é aterrorizante", disse o representante especial do secretário-geral da ONU no Iraque, Nickolay Mladenov, dizendo que centenas de outras acusações de assassinatos de civis não foram incluídas no documento porque não foram suficientemente comprovadas. "Os líderes iraquianos devem agir em unidade para retomar o controle sobre as áreas que foram tomadas (pelos combatentes do Estado Islâmico) e implementar reforças sociais, políticas e econômicas", diz o texto.

Também nesta quinta-feira, militantes do grupo do Estado Islâmico lançaram um ataque nesta quinta-feira a pequena cidade de Hit, no oeste iraquiano, informou um porta-voz militar.

O Iraque enfrenta sua pior crise desde a retirada, em 2011, das forças norte-americanas do país. Grupos rebeldes sunitas liderados pelo Estado Islâmico tomaram um terço do território iraquiano desde o início desde ano. Durante uma ofensiva relâmpago do grupo no verão (no hemisfério norte), militares e forças de segurança iraquianos - que receberam treinamento dos Estados Unidos - não conseguiram conter os extremistas, que invadiram cidades no norte do país.

Nas regiões capturadas no Iraque e no leste da Síria os militantes declararam a instalação de um califado e impuseram sua própria e rígida interpretação da lei islâmica da sharia. Eles também ameaçam minorias religiosas, mataram milhares de pessoas e expulsaram outras centenas de milhares de suas casas.

O ataque desta quinta-feira contra Hit começou ao amanhecer, quando os militantes, com pelo menos três suicidas, atacaram postos de verificação nas entradas da cidade, disse o porta-voz militar Qassim al-Moussawi. Segundo ele, há vítimas entre as forças de segurança, embora não tivesse dados precisos.

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