ONU estipula prazo para que Irã suspenda programa nuclear

O Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou nesta segunda-feira uma resolução que estipulou o dia 31 de agosto como prazo final para que o Irã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio. Caso não cumpra com o pedido, Teerã estará sujeito a sanções econômicas e diplomáticas.Apesar do caráter obrigatório da medida, o Irã rejeitou a decisão imediatamente após seu anúncio, argumentando que a resolução só tornará mais difíceis as negociações sobre um pacote de incentivos oferecidos em junho para que Teerã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio. Grã-Bretanha, França e Alemanha criaram o pacote com o objetivo de dissuadir o Irã sem que o país precisasse ser levado para o Conselho de Segurança da ONU. Como China e Rússia - ambos membros com poder de veto dentro do órgão - opunham-se à adoção de sanções, esse grupo de países procurou com o pacote encontrar um meio termo para convencer Teerã.O regime dos aiatolás não respondeu às propostas no prazo estipulado pelos países que criaram o pacote, criando o ambiente propício para que uma resolução da ONU fosse aprovada contra Teerã. O Irã, entretanto, criticou o que classificou como presa das potências internacionais em obter uma posição."Foi a persistência de alguns em criar prazos arbitrários que fechou as portas para qualquer compromisso", disse o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Javad Zarif. "Essa tendência (de estipular prazos) bloqueou unilateralmente, e, na maioria dos casos, matou as propostas desde o seu nascimento." Zarif acrescentou que a resolução não levará a um desfecho produtivo.Texto amenoDevido a resistência da Rússia e da China em aprovar um texto duro contra Teerã, os rascunhos iniciais da resolução foram amenizados, afastando as ameaças de adoção imediata de sanções. Nesse quesito, o texto aprovado basicamente requer a realização de novas discussões antes da aplicação de medidas punitivas.A resolução foi aprovada por 14 dos 15 membros do Conselho. O único voto dissidente foi do Qatar, que tradicionalmente representa os interesses dos Estados árabes no CS.Desenvolvido pela Grã-Bretanha, França e Alemanha, com o apoio dos Estados Unidos, a resolução segue um acordo firmado no último dia 12 pelos ministros de Exteriores dos quatro países, mais a Rússia e a China, para que o Conselho de Segurança imponha sanções caso Teerã não responda ao pacote de inventivos.Nas reunião, os ministros pediram para que os membros do conselho adotassem uma resolução tornando mandatória a suspensão das atividades de enriquecimento. A resolução pede para que todos os países "exercitem a vigilância" em prevenir a transferência de todos os bens que possam ser usados pelo Irã em seus programas de enriquecimento e de mísseis balísticos.Reação iranianaEm um extenso discurso após a adoção da resolução, Zarif rejeitou a legitimidade do conselho em pedir que o Irã suspendesse as atividades de enriquecimento e processamento de urânio. Além disso, ele repetiu as alegações sustentadas por Teerã desde o início do impasse, segundo as quais o Irã tem o direito de desenvolver energia nuclear e não pretende criar armamentos nucleares.Teerã havia anunciado na última semana que responderia ao pacote de incentivo das potências ocidentais no dia 22 de agosto, mas o Conselho resolveu ir em frente com a resolução sem esperar uma resposta do Irã.Na sexta-feira, o Irã pediu o reinício das negociações sobre suas ambições nucleares e disse que ainda considera o pacote de incentivos. As potências ocidentais, no entanto, anunciaram que não voltarão a mesa de negociações sem que Teerã suspenda o enriquecimento de urânio.Os Estados Unidos e alguns de seus aliados acusam o Irã de procurar desenvolver urânio e plutônio altamente enriquecido para criar armas nucleares. Teerã, por sua vez, defende-se dizendo que seu programa nuclear é puramente pacífico e tem por objetivo a produção de energia elétrica.Matéria atualizada às 18h

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