ONU estuda condenar a Junta Militar de Mianmar

Minuta pede a "libertação imediata de todos os detidos" e assistência aos feridos

Efe,

09 de outubro de 2007 | 01h23

O Conselho de Segurança da ONU debateu na segunda-feira, 8, em nível técnico a possibilidade de condenar a Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) por sua violenta repressão dos recentes protestos pacíficos em favor de uma mudança política. Delegados dos 15 membros do principal órgão da ONU discutiram na segunda o conteúdo de uma minuta redigida por Estados Unidos, França e Reino Unido, após o relatório apresentado na sexta-feira pelo enviado especial do organismo para Mianmar, Ibrahim Gambari. Na saída do encontro, o representante de Gana, Albert Yankey, assegurou que todos estão de acordo com os pontos básicos da declaração, mas foram propostas 12 emendas sobre como está redigido. Um dos elementos que ficou decidido eliminar da minuta é a menção a que o Conselho "consideraria novos passos segundo a evolução da situação", o que é uma alusão à possibilidade de impor sanções a Rangun. O texto sob consideração condena "a violenta repressão do governo de Mianmar das manifestações pacíficas, incluindo o uso da força contra figuras e instituições religiosas". Pede a "libertação imediata de todos os detidos", assim como fornecimento de assistência médica aos feridos na repressão e uma apuração completa dos que perderam a vida nas últimas semanas. A minuta da declaração também pede a concessão de liberdade de movimento da líder opositora Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar desde 2003, e ao início de um processo de democratização "genuíno". Além disso, reitera o respaldo às gestões de Gambari e ressalta o papel que desempenha a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que condenou a violência empregada pelo regime militar birmanês. China e Rússia se mostraram até o momento reticentes em condenar no Conselho de Segurança as ações de Rangun, que Pequim descreveu como um problema interno que não afeta a paz e a segurança internacional. Por isso, rejeitaram a proposta de Washington de impor sanções, entre elas um embargo de armas, para obrigar o governo birmanês a cessar a repressão de seus opositores. O texto emendado será consultado com as capitais nas próximas horas, disse o diplomata, podendo ser apresentado na quarta-feira para votação do Conselho.

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