REUTERS/Joe Penney
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ONU estuda punir ataque a patrimônio cultural no Mali

Medida pode abrir caminho para a punição de outros crimes contra relíquias arqueológicas cometidas pelo EI no Iraque e na Síria

O Estado de S. Paulo

01 de março de 2016 | 10h55

 BAMAKO - A procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) tentará a partir desta terça-feira, 1,  convencer o alto tribunal a julgar um chefe tuaregue do Mali pela destruição de vários mausoléus da histórica cidade de Timbuktu. Ahmad Al-Faqi Al-Mahdi, um dos líderes do Ansar Dine, um grupo islamita radical malinês associado à Al-Qaeda no Magreb Islânico (AQMI), dirigia a brigada de costumes ("Hesbah") da cidade quando ela estava nas mãos dos jihadistas.

Ele é acusado de ter dirigido pessoalmente os ataques em 2012 contra dez edifícios religiosos do centro histórico em Timbuktu, incluído na lista de patrimônio mundial da humanidade. Al-Faqi é o primeiro jihadista detido pelo TPI, o primeiro detido no âmbito da investigação sobre a violência de 2012 e 2013 no Mali e o primeiro acusado pelo tribunal por destruir edifícios religiosos e monumentos históricos.

"É a primeira vez em que a destruição de monumentos históricos e religiosos é central na acusação", afirmou a ONG Open Society Justice Initiative. A medida pode abrir caminho para a punição de outros crimes contra relíquias arqueológicas cometidas pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria

A cidade de Timbuktu, fundada entre os séculos XI e XII por tribos tuaregues, foi um grande centro intelectual e comercial do Islã.

Em 2012, a destruição por parte do Ansar Dine - em nome da luta contra a idolatria - de quatorze mausoléus de santos muçulmanos provocou uma onda de indignação em todo o mundo.

Durante a audiência de confirmação de acusações, prevista para esta terça e quarta-feira, a procuradoria argumentará que o caso contra Al Faqi, de cerca de 40 anos, é suficientemente sólido para a realização de um julgamento.

Segundo a ordem de detenção contra ele, Al-Faqi é responsável por crimes de guerra que destruíram nove mausoléus e uma das principais mesquitas da cidade, a de Sidi Yahia, entre 30 de junho e 10 de julho de 2012.

"Essas acusações implicam crimes muito graves, trata-se da destruição de monumentos históricos insubstituíveis e ataques graves contra a dignidade e a identidade de populações inteiras", disse a procuradora Fatou Bensouda após a transferência de Al-Faqi a partir do Níger. / AFP

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