ONU exige da Síria acesso a locais atingidos

WASHINGTON - Sem evidências definitivas sobre a autoria do ataque contra civis - aparentemente com armas químicas - em Ghouta, na Síria, a ONU pressiona desde ontem o regime de Bashar Assad a autorizar "sem demora" a investigação por parte de seus inspetores, presentes em Damasco há cinco dias. Mas, enquanto a França e a Grã-Bretanha assumiam a vanguarda na defesa de intervenção internacional na Síria, os EUA cautelosamente se recolhiam.

Denise Chrispim Marin , Correspondente - O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2013 | 02h13

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ordenou o embarque para a capital síria da alemã Angela Kane, representante da organização para desarmamento, como meio de engrossar as pressões sobre Assad. "O secretário-geral crê que os incidentes devem ser investigados sem demora. Um pedido formal está sendo enviado pela ONU ao governo da Síria neste sentido. Ele (Ban) espera receber uma resposta positiva imediatamente", afirmou, em comunicado, o escritório do secretário-geral.

Nos EUA, o presidente Barack Obama determinou à agências de inteligência uma investigação urgente da autoria do massacre. Em junho, essas agências haviam confirmado ataques do governo sírio a redutos opositores com uso de armas químicas, conforme informara o conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes. Na ocasião, os EUA preparavam o envio de munições e armas aos rebeldes e estudavam uma possível zona de exclusão aérea sobre a Síria, com base na Jordânia. Ontem, porém, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, afirmou ser difícil para os EUA aferirem a autoria dos ataques porque não têm relações diplomáticas com a Síria. "Não temos condições de concluir se houve uso de armas químicas", afirmou, em claro recuo.

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