ONU exige fim de testes com mísseis; Coréia do Norte rejeita

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou, por unanimidade, resolução condenando os testes com mísseis realizados recentemente pela Coréia do Norte, determinando a suspensão do programa de mísseis balísticos e dos lançamentos de mísseis pelo país comunista. A Coréia do Norte rejeitou categoricamente a resolução e afirmou que continuará com seus exercícios militares, aos quais tem direito como Estado soberanoA resolução foi aprovada após dez dias de intensas negociações e após a retirada da cláusula que permitia intervenção militar para forçar o país a cumprir as demandas do Conselho. Japão, Estados Unidos e Reino Unido buscavam uma declaração severa, enquanto Rússia e China defendiam uma linguagem mais flexível."O Conselho agiu com rapidez e força na resposta ao imprudente e condenável ato da República Democrática do Povo da Coréia", disse o vice-ministro do Japão para Relações Exteriores, Chintaro Ito.Próximo ao final das negociações, o Conselho estava dividido quanto a inclusão ou não da resolução no capítulo 7 do estatuto das Nações Unidas, o qual permite o uso da força militar para que a decisão do Conselho seja cumprida. A China ameaçou vetar qualquer resolução que mencionasse o capítulo 7 e no acordo final a cláusula foi retirada.A resolução adotada neste sábado diz que o Conselho de Segurança "está agindo dentro de sua responsabilidade especial de manutenção da paz e segurança internacional".E resolução ainda exige que a Coréia do Norte reafirme a moratória unilateral de mísseis balísticos de 1999, que retome "incondicionalmente" as conversas de seis lados (as duas Coréias, China, Japão, Rússia e EUA) e acate a declaração conjunta de 19 de setembro de 2005.Além disso, proíbe-se os estados-membro de transferirem ou adquirirem materiais e tecnologia para o Governo norte-coreano que possam ser utilizados para a fabricação de mísseis e armas de destruição em massa.Coréia do Norte rejeita resolução adotada pelo CSA resposta negativa dos norte-coreanos foi feita pelo embaixador do país na ONU, Pak Gil Yon. "A resolução adotada é injustificável e chantagista. Meu país condena a tentativa de algumas nações de abusar do Conselho de Segurança para o objetivo político de isolar e pôr pressão na Coréia do Norte", ressaltou.Pak disse que os lançamentos foram exercícios rotineiros de "dissuasão e autodefesa", e que nem o direito internacional nem os acordos bilaterais ou multilaterais o proíbem.O diplomata norte-coreano reafirmou o compromisso de seu país com a desnuclearização da Península da Coréia, como se estabelecia na declaração conjunta de setembro de 2005, mas culpou os EUA por não cumprirem com suas obrigações. "Os EUA aplicaram sanções financeiras à Coréia do Norte (...) bloquearam as conversas com chantagens e desenvolveram exercícios militares tendo como alvo o nosso país", assinalou."Os EUA tentam criar instabilidade e crise, e até guerras como a do Iraque (...). A Coréia do Norte está disposta a negociar por meios pacíficos. O lançamento é irrelevante para as conversas", disse.

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