ONU exige fim imediato da violência de Assad e opositores

Combates continuavam ontem na Síria, apesar de compromissos assumidos com Annan, diz oposição

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2012 | 03h05

O Conselho de Segurança da ONU pediu que o regime de Bashar Assad e os opositores sírios implementem imediatamente o plano para resolver a crise na Síria elaborado pelo ex-secretário-geral da entidade e mediador do conflito, Kofi Annan.

Segundo o atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "apesar das promessas do governo sírio de aceitar o plano de Annan, a violência e os ataques em áreas civis continuam e a situação está se deteriorando". Ao menos 18 pessoas teriam morrido em Homs, de acordo com a oposição. Não há confirmação independente porque o regime não permite a circulação livre de jornalistas.

Uma declaração presidencial aprovada no Conselho de Segurança diz que "o governo sírio deve implementar urgentemente e de forma visível seus compromissos assumidos com o enviado (Annan) no dia 1.º, incluindo o fim da mobilização de tropas em centros populacionais e do uso de armamentos pesados, bem como a retirada dos militares dos centros urbanos".

O texto da declaração presidencial, aprovado por unanimidade, como determinam as regras da ONU, mas sem o peso de uma resolução, diz que as exigências "devem ser cumpridas até 10 de abril" , havendo, depois disso, um prazo de dois dias "para todas as partes, incluindo a oposição, interromperem as ações armadas". Caso Assad não cumpra o acordo, "próximos passos" serão analisados.

Foi a segunda vez que o Conselho de Segurança adotou uma posição unificada em menos de um mês, depois de quase um ano de divisões entre os EUA e europeus de um lado, pedindo ações mais duras contra Assad, e Rússia e China de outro, defendendo o regime de Damasco.

A saída para envolver Moscou e Pequim foi usar o mecanismo da declaração presidencial, em vez da resolução, e também mencionar a violência atribuída à oposição, e não apenas a do governo, como queriam os EUA.

Em videoconferência, falando de Genebra para a Assembleia-Geral da entidade em Nova York, Annan disse que "é preciso silenciar os tanques, os helicópteros, os fuzis e frear todas as outras formas de violência, incluindo abuso sexual, tortura, execuções, sequestros, destruição de casas e ataques contra crianças".

O embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, tentou responder às declarações de Annan, mas foi interrompido pelo presidente da Assembleia, Nassir Abdulaziz al-Nasser, do Catar. Ele também ignorou o pedido do representante sírio de um minuto de silêncio para as vítimas da violência.

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