ONU exorta Israel a respeitar compromissos assumidos

As autoridades israelenses precisam respeitar os compromissos de suspender muitos dos bloqueios que paralisaram os territórios palestinos, afirmou hoje o chefe da missão humanitária das Nações Unidas. "Se uma única medida pudesse ser tomada, seria a reabertura dos acessos que foram fechados, nos planos interno e externo. Isso faria um mundo de diferença", declarou Ross Mountain. "Tendo dito isso, reconhecemos a preocupação da população israelense em relação à segurança, mas mesmo nossos interlocutores do lado israelense admitem que muito mais pode e deve ser feito". Mountain liderou uma delegação de 11 agências da ONU enviada à região pelo secretário-geral da organização, Kofi Annan. Eles foram observar os desdobramentos dos fatos apontados no relatório da enviada especial da ONU Catherine Bertini, que visitou a região em agosto. O relatório da equipe será apresentado num encontro a ser realizado em novembro, no qual estarão reunidos organismos e países que doam dinheiro para o Oriente Médio. Depois disso, o documento será divulgado publicamente.Mountain afirmou que a equipe havia estudado os compromissos de melhorar os acessos para facilitar a movimentação do povo palestino, compromissos esses assumidos pelas autoridades israelenses com Bertini, e concluído que muito pouco havia sido feito. Muitos palestinos, incluindo professores, funcionários do sistema de saúde e equipes de emergência não conseguem chegar aos locais de trabalho. Na cidade de Nablus, o toque de recolher foi suspenso apenas por 83 horas, ao longo de um período de três meses. Após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, a equipe da ONU e o governo israelense concordaram que dois funcionários das Nações Unidas vão trabalhar com a Chancelaria de Israel para garantir que a ajuda humanitária para os palestinos possa ser encaminhada sem problemas, disse Mountain. Mountain disse que sua equipe também pede a liberação imediata de cerca de US$ 700 milhões que pertencem à Autoridade Palestina. A quantia está bloqueada em uma conta bancária em Israel. O dinheiro - proveniente de impostos alfandegários - é recolhido por Israel e deveria ser repassado para as autoridades palestinas, mas Israel se recusou a liberá-lo desde que começaram os problemas atuais, em 2000.

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