ONU faz novo apelo por ajuda para o Paquistão

Número de mortes por causa das enchentes no país já chega a 1.600

BBC

11 de agosto de 2010 | 07h39

 

ISLAMABAD - Agências de ajuda no Paquistão alertaram que a menos que haja mais ajuda internacional, muito mais pessoas vão morrer em conseqüência das maiores enchentes a atingir o país nos últimos 80 anos.

A ONU deve lançar um novo apelo nesta quarta-feira, pedindo ajuda para os cerca de 14 milhões de afetados. Segundo a organização, até agora 1.600 pessoas morreram por causa das enchentes.

A organização de caridade britânica Oxfam descreveu as enchentes como um "mega desastre" que requer uma "mega resposta". Segundo a Oxfam, essa resposta ainda não veio.

Enquanto isso, o grupo extremista islâmico Taleban no Paquistão pediu ao governo que rejeite qualquer ajuda vinda do Ocidente. Segundo os militantes, o dinheiro será "desviado por oficiais corruptos".

Na terça-feira, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, retornou ao país depois de uma visita ao exterior. Ele foi extremamente criticado por não estar no país coordenando a resposta ao desastre, mesmo quando as enchentes pioraram.

Apelo

O coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, John Holmes, disse à BBC que a organização espera levantar cerca de US$ 500 milhões com este apelo. "Isto é uma quantia inicial, provavelmente para os três primeiros meses, e isso baseado nas melhores previsões que podemos fazer no momento", disse ele.

Segundo a Oxfam, até agora a arrecadação de fundos tem sido lenta em comparação a fundos obtidos após tragédias naturais recentes. De acordo com a organização, a comunidade internacional se comprometeu a doar o equivalente a US$ 3 por pessoa afetada pelas enchentes, o que é considerado muito pouco.

Na ocasião do terremoto de 2005 no Paquistão, as doações chegaram a US$ 70 por pessoa afetada, e, no caso do terremoto do Haiti, no início do ano, a quantia chegou a US$ 495.

Inundados

As enchentes provocadas pelas chuvas de monção - que este ano foram mais fortes do que de costume - continuam a deixar um rastro de destruição no país. Áreas em torno das barragens de Guddu e Sukkur, na província de Sindh, permanecem na categoria de "alto risco de enchentes".

Dezenas de milhares de pessoas que tiveram que deixar suas casas na região seguem para a cidade de Sukkur, que também está ameaçada pelas águas.

O Centro de Alerta de Enchentes previu que uma grande onda vai atingir a barragem Kotri, na província de Sindh, entre as próximas 24 e 48 horas, ameaçando a cidade de Hyderabad.

Novas enchentes nas áreas de Punjab, acima de Guddu, precipitaram o deslocamento de centenas de milhares de pessoas para áreas mais seguras, em muitos casos pela segunda vez em duas semanas. Muzaffargarh, uma cidade de 700 mil pessoas, foi totalmente evacuada.

As autoridades meteorológicas afirmam que as chuvas estão enfraquecendo e que pode haver uma pausa nos próximos três dias.

 

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