ONU: governo do Congo aceita diálogo com insurgente

O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para tentar promover uma solução política para o conflito na República Democrática do Congo (antigo Zaire), disse hoje que o líder insurgente Laurent Nkunda quer se encontrar com o governo para discutir questões políticas, econômicas e de segurança - e o governo do presidente Joseph Kabila agora não se oporia ao diálogo direto. Kabila havia dito anteriormente que não discutiria em separado com Nkunda, apenas com todos os líderes de grupos insurgentes.Segundo Obasanjo, Nkunda quer integrar suas tropas ao Exército do Congo, como parte de um acordo de paz com o governo, que protegeria as minorias do país africano. Obasanjo disse, ao se encontrar hoje na sede da ONU com o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, que ele não considera as ofertas de Nkunda como "ultrajantes" e acredita que os rebeldes podem negociar diretamente com o governo e resolver as diferenças de maneira pacífica. RefugiadosMais cedo hoje, milhares de pessoas desabrigadas pelo conflito armado no leste do Congo atacaram veículos das Nações Unidas com pedras em um acampamento de refugiados. Os congoleses reagem contra o que consideram a incapacidade da organização para protegê-los. Soldados do exército congolês voltaram a saquear o acampamento de refugiados em Kibati, deixando ao menos uma mulher de 45 anos morta, atingida por uma bala. Os refugiados do acampamento de Kibati, seis quilômetros ao norte da capital provincial Goma, são parte dos 250 mil desabrigados pela nova série de confrontos iniciada em agosto, no leste do país. A ONU mantém 17 mil soldados no Congo e aprovou o envio de outros 3.100. Porém o governo, cujos soldados, indisciplinados e mal treinados, costumam fugir quando os rebeldes se aproximam, se nega a negociar com os insurgentes.

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