ONU interrompe retorno de refugiados ao Iraque

A violência no Iraque está obrigando a ONU a interromper a entrada de comboios de refugiados no país organizados pelas Nações Unidas. Essa é a primeira vez desde o final da guerra contra o regime de Saddam Hussein que a ONU é obrigada a tomar tal medida. Desde julho de 2003, a ONU já teria levado ao território iraquiano mais de 10 mil pessoas que haviam se refugiado nos últimos anos em países como Arábia Saudita, Líbano e principalmente no Irã. Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, mais de 120 mil pessoas já voltaram ao Iraque nos últimos meses, mas 90% delas cruzaram a fronteira sem qualquer assistência das Nações Unidas. Apesar de não ter impedido a volta dos refugiados, a ONU não aconselha o retorno dos iraquianos para várias regiões do país. Estimativas extra-oficiais apontam que entre 200 mil e 300 mil iraquianos ainda estejam vivendo em acampamentos de refugiados no Irã. De acordo com a ONU, os proprietários de veículos que estavam ajudando no transporte dos refugiados estão se recusando a fazer o percurso entre o Irã e cidades no sul do Iraque, entre elas Basra. Além disso, milícias estão formando barrerias ao longo das principais estradas e cobrando pedágios ilegais para que os veículos sejam autorizados a circular. Os problemas de falta de acesso ainda estão prejudicando a ajuda humanitária prestada da ONU. Segundo o Alto Comissariado para Refugiados, enchentes que ocorreram recentemente no sul do Iraque deixaram 3 mil pessoas desabrigadas. Até agora, essa população não está sendo atendida pelos funcionários da ONU.

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