ONU investiga ameaças a testemunhas no Afeganistão

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou estar estudando denúncias de que pessoas que teriam informações sobre chacinas e valas comuns no norte do Afeganistão tenham sido recentemente assediadas, detidas, torturadas e até mesmo executadas. Uma equipe de representantes da Comissão Afegã de Direitos Humanos e da ONU foi despachada na segunda-feira ao norte do país para investigar os relatos, informou Manoel de Almeida e Silva, porta-voz da missão das Nações Unidas em Cabul. Não estava claro quando o grupo divulgará o resultado das investigações.Centenas de combatentes do Taleban capturados pelas forças do senhor da guerra Abdul Rashid Dostum morreram asfixiados no fim do ano passado, depois de serem aprisionados em contêineres de carga sem ventilação.Os combatentes deveriam ser transferidos a uma prisão em Shibergan, mas investigadores da organização Médicos pelos Direitos Humanos, como sede nos Estados Unidos, disseram que centenas deles morreram durante o transporte e foram enterrados numa vala comum nas proximidades de Dasht-e-Leili. Dostum diz que as mortes não foram intencionais e alega que elas foram causadas por doenças e ferimentos em combate.As Nações Unidas iniciaram investigações preliminares sobre as valas comuns em abril. Dostum e outros senhores da guerra do norte do Afeganistão disseram que apoiariam uma investigação.Almeida e Silva informou que a ONU recebeu denúncias de casos de afegãos "aparentemente em posse de informações referentes às circunstâncias das mortes em Dasht-e-Leili" que foram alvo de "assédio, detenção arbitrária, tortura e execução extrajudicial".A entidade manifestou ao governo afegão e a Dostum sua preocupação com o episódio. "Sentimos que as denúncias têm seriedade, credibilidade e precisam ser investigadas", afirmou Almeida e Silva.

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