Youssef Badawi/EFE
Youssef Badawi/EFE

ONU investiga ataque, mas evita se posicionar sobre atentados na Síria

General norueguês, que comanda missão no país, esteve no local da tragédia que matou 55

Lourival Sant'Anna,

10 Maio 2012 | 23h35

O general norueguês Robert Mood, comandante da missão de observadores da ONU na Síria, foi inspecionar o local do atentado na quinta de manhã. Os repórteres perguntaram o que ele tinha a dizer ao povo sírio sobre o que estava vendo. "Isso não vai resolver nenhum problema", reagiu o general. "Só vai criar mais sofrimento para mulheres e crianças."

O capitão de mar e guerra brasileiro Alexandre Feitosa, encarregado do planejamento da missão, disse ao Estado que a equipe ainda estava procurando entender o que aconteceu e esperava que nesta sexta o episódio ficasse mais claro. Na véspera, uma bomba explodiu na estrada que dá acesso a Deraa, no sul do país, no momento em que o comboio da ONU passava. Um caminhão do Exército que fazia a escolta dos observadores foi atingido e ao menos um tenente sírio ficou levemente ferido.

Em entrevista publicada horas antes no jornal Asharq al-Awsat, publicado em Londres por uma editora saudita, o coronel Riad al-Asaad, comandante do Exército Sírio Livre (ESL), havia qualificado a missão da ONU de "falsas testemunhas" de "assassinatos, prisões e bombardeios" e advertido que os rebeldes atacariam veículos militares das forças leais ao regime com explosivos. No mesmo dia, sete milicianos foram mortos em Irbin, na periferia de Damasco, quando o ônibus em que viajavam foi atingido por foguetes portáteis, segundo ativistas.

Na entrevista, Asaad ressalvou: "Atentados a bomba não são parte de nossa ética e não precisamos deles." Tudo indica que o regime sírio enfrenta ameaças em duas frentes distintas: de um lado, as táticas de guerrilha do ESL contra as forças regulares e irregulares leais a Bashar Assad; de outro, ações terroristas que empregam bombas e suicidas contra instalações do vasto aparato de inteligência sírio, causando grande número de mortes tanto de agentes de segurança quanto de civis.

O Exército sírio é o responsável pela proteção dos observadores da ONU, tanto nos postos fixos quanto nos deslocamentos, embora nas patrulhas e sempre que quiserem fazer contatos com rebeldes ou com a população eles possam dispensar a escolta e ir sozinhos.

"Estamos preparados para esse tipo de ameaça", disse ao Estado na quarta-feira, no calor do ataque ao comboio, o fuzileiro naval brasileiro, que serve no Departamento de Operações de Manutenção da Paz, com sede em Nova York. "Não é encarado como surpresa nem como algo novo."

Feitosa confirmou nesta quinta à noite que com a chegada de novos observadores o contingente se elevaria a 150. Até quarta-feira eles eram 51, distribuídos por Deraa, Damasco, Homs, Hama, Idlib e Alepo. Com o reforço, a missão se estenderá aos portos de Tartus e Latakia e à cidade de Deir az-Zaur, no leste do país. Até o fim da semana que vem eles terão 200. O Conselho de Segurança aprovou um efetivo de 300 observadores. Desses, entre 10 e 11 serão brasileiros.

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