ONU investiga onda de suicídios femininos em cidade turca

As notícias sobre um alarmante aumento no número de suicídios entre mulheres na cidade de Batman, no sudeste da Turquia, levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a enviar uma representante à região para investigar o caso. Desde o início do ano, 36 mulheres em Batman já tentaram o suicídio - mais do que no ano passado inteiro. A investigadora especial da ONU sobre a violência contra as mulheres, Yakin Ertuk, visitará quatro cidades durante uma missão de dez dias no país.Ela analisará as afirmações de que o alto número de suicídios poderia estar ligado às leis mais duras para os condenados por crimes de honra - comumente cometido por irmãos e pais de mulheres que praticaram sexo fora do casamento.A investigadora especial da ONU se reunirá com autoridades, organizações civis e familiares de mulheres que tentaram o suicídio para tentar entender suas motivações e o que poderia ser feito como prevenção.Suicídios forçadosAlgumas pessoas sugerem que o principal motivo poderia ser um desespero pelas restrições impostas a elas em suas vidas. Muitas famílias migraram a Batman de locais profundamente conservadores no interior do país.Outros suspeitam que muitos dos casos podem ser suicídios forçados, nos quais uma mulher é obrigada a tirar sua própria vida para limpar a honra da família, muitas vezes trancadas sozinhas num quarto com uma corda ou uma arma.Os crimes de honra são decididos por um conselho familiar e são normalmente cometidos por um parente homem, mas as reformas legais recentes significam que as penas para tais crimes ficaram mais duras.Organizações de mulheres dizem que um grande número de mortes sem explicação acaba sendo registrado como suicídio. O governo turco já vem tentando elevar a conscientização sobre a violência doméstica, e as mesquitas foram instruídas a pregar contra crimes de honra em particular, mas a mudança na mentalidade que leva a tais crimes é uma tarefa imensa.Hoje em Batman ainda não existe um abrigo para onde mulheres em situação de perigo possam ir ou uma linha telefônica gratuita para denúncias.

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