Hussein Malla/AP
Hussein Malla/AP

ONU investiga Turquia por uso de armas químicas 

Curdos denunciam uso de napalm, enquanto especialistas suspeitam de ataques com fósforo branco contra civis 

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 21h43

ISTAMBUL  - Inspetores da ONU disseram nesta sexta-feira, 18, que estão investigando acusações de que a Turquia teria usado armas químicas em pelo menos um ataque contra curdos na  Síria. A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) confirmou a investigação, que foi aberta depois que o Crescente Vermelho reportou que seis pacientes deram entrada em um hospital de Hasakah com queimaduras suspeitas. 

Especialistas britânicos, que analisaram imagens enviadas do local, suspeitam que os ferimentos tenham sido causados por fósforo branco. A substância é normalmente usada pelos militares para criar uma cortina de fumaça, durante o dia, e como bomba incendiária para iluminar o campo de batalha à noite. No entanto, é proibido utilizá-lo contra civis, porque pode causar mortes por queimaduras, inalação ou ingestão. 

Ainda nesta sexta-feira, forças curdas começaram a se retirar da chamada “zona de segurança” no norte da Síria, segundo informações de EUA e Turquia. Líderes curdos acusaram militares turcos de violar o cessar-fogo, anunciado na quinta-feira, e de usar armas químicas – além do fósforo branco, os curdos também denunciaram o uso de napalm. O presidente Recep Tayyip Erdogan, porém, negou. Segundo o governo turco, tudo estava seguindo como planejado. 

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora o conflito, disse que as operações turcas continuavam. Hoje, 14 civis e 8 combatentes curdos morreram na cidade de Bab al-Kheir. A Anistia Internacional acusou o Exército da Turquia e os rebeldes pró-turcos de “desprezarem a vida dos civis”, citando “provas claras de crimes de guerra”.

O presidente turco não mencionou as mortes, mas afirmou que é responsabilidade dos americanos garantir que as milícias curdas se retirem da área em cinco dias, segundo acordo com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence. “Se os EUA conseguirem manter sua promessa, em 120 horas a questão estará resolvida”, disse Erdogan. “Se não, as operações (turcas) continuarão de onde elas pararam.”

Pelo acordo, Turquia e EUA concordaram em criar uma zona de segurança. Erdogan exige uma zona de 480 km de comprimento e 32 km de largura, defendendo uma faixa de segurança livre das milícias curdas, consideradas “terroristas” pela Turquia. Após a retirada dos curdos, Erdogan pretende instalar na área a maior parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios que atualmente vivem na Turquia. / NYT e AFP 

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