ONU investigará mais de cem mortes na Tunísia nos últimos dias

País do norte da África foi tomado por protestos violentos que culminaram na queda de presidente

Efe

19 de janeiro de 2011 | 14h43

GENEBRA - A alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, anunciou nesta quarta-feira, 19, que recebeu denúncias de mais de cem mortes na Tunísia nas últimas cinco semanas por causa de disparos em conflitos, suicídios de protesto e motins em prisões.

 

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Em entrevista coletiva, Navi reiterou sua solicitação de que todas as mortes e violações aos direitos humanos sejam investigadas e seus responsáveis julgados. A alta comissária esclareceu que "70 das mortes foram causadas por tiros, sete suicídios e 40 ocorreram em motins".

 

Defensores dos direitos humanos tunisianos e internacionais acusaram os agentes da ordem de uso excessivo da força na repressão das manifestações pacíficas de cidadãos que protestavam contra o regime de Zine El Abidine Ben Ali, que fugiu na sexta-feira do país.

 

Navi anunciou que, após falar por telefone com o novo vice-ministro de Assuntos Exteriores de Tunísia, decidiu enviar uma missão de analistas para estabelecer quais são as prioridades nos direitos humanos. "Trataremos sobre os detalhes desta missão com o governo interino nos próximos dois dias", acrescentou.

 

A alta comissária ainda ressaltou que "os abusos aos direitos humanos estiveram no centro dos problemas da Tunísia. Portanto, os direitos humanos devem estar na primeira linha das soluções a esses problemas".

 

Com relação aos protestos dos cidadãos que levaram a fuga de Ben Ali, que ficou 23 anos poder e é considerado um ditador, Pillay mostrou seu respeito e apoio. "É essencial que nós, a comunidade internacional, apoiemos ao chamado da cidadania à liberdade e total respeito aos direitos humanos", destacou.

 

"Esperamos que uma nova era tenha começado na Tunísia, em que as pessoas possam viver livres, sem medo de ser detidas arbitrariamente, torturadas ou qualquer outra forma de abuso", acrescentou Pillay. Mas a alta comissária deixou claro que as situação em Túnis ainda é "extremamente frágil" e pediu atenção às autoridades.

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