ONU já avalia proposta de resolução dos EUA contra a Coréia do Norte

Um esboço de resolução proposto pelos Estados Unidos como retaliação ao teste nuclear anunciado pela Coréia do Norte começou a circular entre os membros do Conselho de Segurança (CS) da ONU na noite desta segunda-feira. Além de condenar o teste e de exigir que Pyongyang retorne imediatamente às negociações multilaterais sobre seu programa nuclear, o texto prevê a imposição de sanções severas contra o que classifica como "indiferença flagrante" do regime comunista aos apelos do Conselho para que não detonasse o dispositivo.Mais cedo, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, havia proposto um pacote de sanções severas. As medidas incluíam um embargo nas exportações e importações de itens militares pelo regime norte-coreano, o poder para inspecionar todas as cargas que entram e saem do país, e o congelamento dos ativos ligados ao programa de armas.Além dessas sanções, o esboço de resolução apresentado mais tarde pelos Estados Unidos continha também outras medidas propostas pelo Japão. Com o texto, Tóquio pretende proibir que navios norte-coreanos atraquem em portos de todo mundo. Decolagens e aterrissagens de aeronaves também estariam proibidos no planeta inteiro. A proposta japonesa incluiria ainda restrições de viagem para funcionários do alto escalão do governo norte-coreano, a criação de um comitê para monitorar a implantação das sanções e um pedido para que o secretário-geral da ONU "se engaje ativamente na questão".Em uma reunião de emergência na manhã desta segunda-feira, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU condenaram Pyongyang de forma uníssona e pediram que o país retorne às negociações multilaterais sobre seu programa nuclear. Estados Unidos, China, Coréia do Sul e Japão - além da própria Coréia do Norte - fazem parte do grupo criado para discutir a questão nuclear norte-coreana. Mas o regime comunista de Kim Jo Il rompeu com as negociações e pressiona para que o assunto seja discutido apenas por Pyongyang e Washington. UnanimidadeSegundo o embaixador do Japão na ONU e atual presidente do Conselho de Segurança, Kenzo Oshima, todos os membros do CS "enfatizaram que a resposta deve ser forte e muito, muito clara em sua mensagem e ações."Embora ainda não esteja claro quanto tempo levará para que os membros do conselho cheguem a um acordo sobre a resolução, Bolton, dos EUA, parecia otimista. Assim como Oshima, ele também destacou a unanimidade alcançada pelos membros do CS em uma reunião de emergência realizada na manhã desta segunda."O fato é que, em nossa reunião de meia hora com todos os membros nesta manhã, não houve ninguém que chegou perto de defender este teste norte-coreano", disse ele. "Todos concordam que isso requer uma resposta dura do conselho, e agora temos que ter isso claro no texto."Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Japão querem que a resolução seja adotada sob o Capítulo 7 da Carta da ONU, trecho voltado especificamente para as ameaças internacionais à paz e à segurança, assim como atos de agressão. O Capítulo 7 dá autoridade ao conselho para impor uma gama de medidas que vão da quebra de laços diplomáticos e imposição de sanções econômicas e militares até a tomada de ação militar.Uma ação militar, no entanto, parece longe de ser adotada."Acreditamos que um ato tão altamente provocativo requer uma resolução forte e explícita sob o Capítulo 7, que proponha sanções contra o regime norte-coreano", afirma o documento apresentado no início da tarde por Bolton.Rússia e ChinaA questão, no entanto, dependerá de um aval da Rússia e da China - países com poder de veto no CS e que mantém laços de amizade com Pyongyang. Ambos não quiseram comentaram se apoiarão medidas mais severas contra o regime norte-coreano."Acho que temos que reagir firmemente", disse o embaixador da China na ONU, Wang Guangya. "Mas também acredito que a opção para resolver essa questão pela via diplomática ainda está aberta."Já para o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, a Coréia do Norte "enfrentará uma atitude muito severa da parte do Conselho de Segurança e de toda a comunidade internacional". Ele ressaltou, no entanto, que o conselho precisa discutir se isso incluirá sanções.

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