ONU já estuda impacto ambiental da guerra no Iraque

Mesmo antes de saber como a guerra no Iraque irá terminar, a Organização das Nações Unidas (ONU) começa a estudar os efeitos do conflito para o meio ambiente da região. A Unidade de Pós-Conflito do Programa da ONU para o Meio Ambiente anunciou que já reuniu um grupo de técnicos para monitorar os danos ao ecossistema do Iraque e dos países vizinhos. Segundo a ONU, assim que a guerra terminar, os estudos servirão de base para que o meio ambiente no Iraque seja recuperado. Por enquanto, apenas a Suíça está financiado os trabalhos, mas a ONU espera que outros países façam doações em breve. Uma das maiores preocupações está relacionada com o incêndio dos campos de petróleo no Iraque. Segundo a ONU, os 700 campos de petróleos incendiados em 1991 no Kuait continuam a ter impacto no meio ambiente do Oriente Médio. Somente em 1992, as mortes aumentaram em 10% no Kuait diante da contaminação gerada pelos gases liberados com os incêndios. Outra problema que se discute na ONU é sobre quem ficará com a responsabilidade em pagar pelos danos ambientais causados pelos atuais incêndios. Em 1991, a ONU criou uma Comissão de Compensações que exigia de Saddam Hussein pagamentos diante dos prejuízos gerados no Kuait. Com uma eventual queda do regime de Bagdá, a questão é saber quem pagará pelos prejuízos atuais. Água - As Nações Unidas lembram que outra prioridade será garantir que as fontes de água potável sejam protegidas durante o conflito. Desde meados dos anos 80, a bacia do Tigres e Eufrates foi reduzida a 10% de sua capacidade. O problema agora, indica a ONU, é que a região onde se encontram as maiores reservas está sendo usada pelas tropas dos Estados Unidos e da Inglaterra como "estrada" para Bagdá. De acordo com a ONU, um dos efeitos da degradação das fontes de água será a diminuição significativa das terras aráveis no Iraque. Apenas 26% do território iraquiano é cultivável, mas especialistas temem que, ao final da guerra, apenas metade possa ser utilizado. Um relatório preliminar deve ser apresentado já em abril pela ONU sobre como lidar com os problemas ambientais no Iraque. "Limpar os estragos deixados por uma guerra não é tarefa fácil", afirma Klaus Toepfer, diretor executivo do Programa da ONU para Meio Ambiente, que alerta que a recuperação do ecossistema no Iraque possa levar anos para ser concluída.Veja o especial :

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