ONU já estuda resolução contra Irã

França e Grã-Bretanha enviaram nesta quarta-feira ao Conselho de Segurança da ONU - principal instância dessa organização - um anteprojeto de resolução determinando que o Irã suspenda todas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio. Também pede que Teerã interrompa a construção de um reator de água pesada, parte de seu programa nuclear.A pressão sobre o Irã é resultado da suspeita do Conselho de que o país tem um plano secreto para produzir armas atômicas. O governo do país insiste que seu único objetivo é o uso da energia nuclear para a produção de eletricidade.O anteprojeto faz as exigências com base no Capítulo 7 da Carta da ONU, o que torna seu cumprimento obrigatório e permite o recurso a sanções e possivelmente ao uso da força, se o Irã não obedecer. Os 15 membros do Conselho devem se reunir na madrugada desta quinta-feira (horário de Brasília), a portas fechadas, para iniciar negociações sobre o texto. Diplomatas na ONU disseram que a meta é levar a resolução à aprovação dos 15 membros antes de segunda-feira, quando está prevista uma reunião, em Nova York, de chanceleres dos membros permanentes do Conselho (EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China), mais a Alemanha. Não está claro, ainda, se esse texto preliminar tem chance de ser aprovado, já que os membros permanentes possuem direito a veto. China e Rússia têm se oposto com firmeza a qualquer resolução que faça referências ao Capítulo 7. Ambos os países se opõem à aplicação de sanções e a possibilidade de uma intervenção militar contra o país. Ao ser indagado se um texto remetendo ao Capítulo 7 seria aceitável, o embaixador chinês na ONU, Wang Guangya, simplesmente respondeu: "Não, não, não."Já o embaixador russo, Vitaly Churkin, saiu pela tangente. Declarou que a Rússia tem problemas com alguns aspectos do anteprojeto, mas apoiou a decisão de levar o caso à consideração da ONU. "Vamos fazer o trabalho duro e deixar as coisas grandes para nossos ministros", disse Churkin, quando lhe perguntaram se o Conselho poderia deliberar antes da reunião dos ministros de Relações Exteriores, na segunda-feira.A crise nuclear iraniana foi o tema central de uma reunião entre o presidente americano, George W. Bush, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Foi a segunda visita de Merkel a Bush em quatro meses.F

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