ONU já planeja reconstrução do Afeganistão

A retirada do Taleban de várias regiões do Afeganistão está permitindo que a Organização das Nações Unidas (ONU) deixe de se preocupar apenas com a situação dos refugiados e passe a elaborar um plano de reconstrução para o país. Segundo estimativas da ONU, serão necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para recuperar o Afeganistão. O projeto deverá incluir desde a construção de cidades até o pagamento de salários para permitir que profissionais afegãos que vivem no exterior voltem ao país e ajudem na formação da nova administração. Os conflitos no Afeganistão já duram 23 anos e, em muitas regiões, vilarejos que foram destruídos ainda na década de 80 não voltaram a ser reconstruídos. Além disso, mais de 6 milhões de afegãos fugiram do país nas últimas décadas, gerando a maior população de refugiados do mundo. De fato, a Organização Internacional para Migrações (OIM) já está fazendo um levantamento de quantos profissionais afegãos de alta qualificação vivem no exterior e estariam dispostos a voltar para o país. A idéia é de que esses profissionais ajudem na formação do novo governo, na administração de hospitais e no treinamento de professores. "A maioria dos afegãos qualificados para formar a nova burocracia e treinar a população local vive hoje nos Estados Unidos, Europa e Austrália", afirma o diretor da OIM, Brunson McKinley. Ele ressalta que a ONU já identificou mais de 3 mil potenciais candidatos para os postos de trabalho. Além da chegada desses profissionais, a ONU prevê que, se a paz for estabelecida no Afeganistão, um número significativo de refugiados deve voltar ao país a partir de março de 2002, quando o inverno acaba e as condições para o retorno se tornam mais fáceis. Até lá, a ONU espera ter restabelecido os serviços de rede de esgoto, luz e transporte, pelo menos nas principais cidades. Por fim, o plano de reconstrução ainda incluirá a inserção de ex-combatentes no setor produtivo do país. "Há muita gente no país que não conhece outra realidade que a da guerra e que não sabe fazer outra coisa senão lutar", afirma o diretor da OIM. "O povo afegão pode ter certeza de que o mundo não irá abandonar o país nesse momento", disse McKinley. O que intriga muitos na sede da ONU, em Genebra, é que a decisão das grandes potências de ajudar a população do Afeganistão apenas se intensificou depois dos ataques terroristas contra os Estados Unidos. "A crise humanitária afegã já existia antes dos atentados, mas parece que foi necessário a presença de um terrorista internacional no Afeganistão para chamar a atenção do mundo para os problemas do país", ironiza um diplomata africano. Leia o especial

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