ONU lança campanha contra o tráfico humano

Governos de todo o mundo precisam adotar leis mais rígidas contra o tráfico humano, e os consumidores devem deixar de comprar marcas que exploram trabalhadores, disseram na segunda-feira, 26, ativistas de uma campanha contra a escravidão moderna. Passados 200 anos do fim do tráfico de escravos no Atlântico, milhões de adultos e crianças continuam sendo vendidos para trabalhar na prostituição, na agricultura ou na mineração, em condições degradantes, em troca de pouca ou nenhuma remuneração. "O problema muda de cultura para cultura", disse Antonio Costa, diretor-executivo do Escritório da ONU para Drogas e Crimes (UNODC), que comanda a iniciativa. "Na Europa, pode haver exploração relacionada ao sexo, enquanto em outras partes do mundo pode haver (crianças obrigadas a serem) jóqueis de camelos, crianças obrigadas a mergulhar em busca de pérolas ou ostras, gente agredida como escravos modernos, mulheres em pedreiras." Apesar de "importantes decisões políticas tomadas por diferentes parlamentos do mundo no século 19", o tráfico que leva "à exploração e à escravidão continuam", disse ele numa entrevista relacionada ao lançamento da Iniciativa Global da Luta contra o Tráfico Humano. Como parte dessa iniciativa, pesquisadores vão reunir provas sobre a amplitude desse comércio ilícito. Segundo Costa, o tráfico humano se tornou uma pandemia nos últimos anos devido à globalização e à falta de atenção suficiente ao problema por parte da imprensa e dos governos. Mais de 110 países assinaram e ratificaram um protocolo da ONU contra o tráfico humano desde dezembro de 2003, mas os governos e seus Judiciários não conseguiram reprimir a prática. "Precisamos de um compromisso mais sério dos governos para punir. Precisamos de leis em muitos países", acrescentou Costa. Segundo ele, a campanha tentará coordenar esforços públicos e privados numa só estratégia global, para reduzir "tanto no lado da oferta, tornando as pessoas menos vulneráveis e mais conscientes, quanto no lado da demanda, mostrando às pessoas que alguns serviços que elas pedem são formas de exploração." A Organização Internacional do Trabalho estima que 12,3 milhões de pessoas são vítimas do trabalho forçado. Já a ONG norte-americano Free the Slaves estima que haja 27 milhões de pessoas nessa situação. Especialistas da ONU e de outras entidades afirmam que o tráfico humano movimento 32 bilhões de dólares -- 10 bilhões com a venda de indivíduos, e o restante com os lucros de suas atividades. A campanha culmina com uma conferência internacional, nos dias 27-29 de novembro.

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